Por que os defensores do valor histórico do hotel Reis Magos não aplicam o mesmo critério para a estátua de Iemanjá?

POR QUE OS DEFENSORES DO VALOR HISTÓRICO DO HOTEL REIS MAGOS NÃO APLICAM O MESMO CRITÉRIO PARA A ESTÁTUA DE IEMANJÁ?

Parte da opinião pública acompanha curiosa o desfecho a respeito do destino do que sobrou do hotel Reis Magos. Os defensores do seu tombamento alegam valor histórico. É um argumento duvidoso que foi recusado pelas principais instituições relacionadas ao tema. O mais notável é que a mesma lógica não vale para a estátua de Iemanjá, monumento que fica também na praia dos artistas.

Quando soube que a estátua, que já tem 20 anos e faz parte da paisagem da área, seria removida até fiz uma crítica no potiguar. Depois fui surpreendido com a informação de que era um pleito dos movimentos das religiões de matriz africana (vou colocar o link aqui). O monumento será substituído por outro maior e mais resistente ao tempo. Em respeito ao seu valor não caberia reforma?

Primeiro, há o preconceito de relacionar o valor histórico da peça apenas a quem vivencia diretamente a fé que interage com Iemanjá. É como dizer que o Cristo Redentor no Rio de Janeiro é o cartão postal apenas dos cristãos e somente eles podem deliberar sobre o seu futuro. Há ateus que se maravilham com o Cristo no Rio e há cidadãos que não fazem parte dos povos de terreiro, que defenderam e continuam a defender a importância da estátua para a história de Natal, inclusive contra cristãos fundamentalistas que tentaram removê-la no passado. A visão identitária embutida atenta contra a ideia de cidadania.

Segundo, fica a indagação: por que a hipermodernidade que apaga a história da estátua e secundariza o trabalho de um artista, não vale para o hotel Reis Magos, este sim de questionável relevância e que sua aquisição e reforma gerariam elevado ônus ao erário?

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