Por que ser progressista é defender a reforma da previdência

POR QUE SER PROGRESSISTA É DEFENDER A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

A reforma da previdência é um assunto bastante duro, não pelas suas consequências que são relativamente consensuais, mas pela capacidade que as corporações mais privilegiadas têm de manobrar negativamente o debate.

Hoje, são os servidores que trabalham em condições de maior conforto, pois resumir tudo a tempo de serviço desconsidera o fato de um trabalhador laborar no sol e outro no ar condicionado por anos sem trégua, se aposentam mais cedo e recebem os melhores vencimentos… os maiores beneficiários da previdência. Dada a expectativa de vida conforme a inserção de classe, também receberão por mais tempo.

O restante da sociedade, a grande maioria, não passará por aí. Se aposentará mais tarde e não receberá vencimentos cheios.

Os déficits previdenciários, sempre crescentes, são, além disso, bancados por todos nós que nada temos com o problema, retirando a possibilidade do Estado fazer investimentos públicos que beneficiem todo mundo.

Para ser objetivo e claro: a previdência é concentradora de renda. Tira de todos e entrega recursos a uma minoria. Não há definição melhor. Existe uma abundância bem fundamentada de dados a respeito.

Mas essas corporações, preocupadas apenas com os seus interesses, que são inconfessáveis na prática, usam e abusam de forma amoral do “povo” e dos “pobres” para protegerem seus privilégios. Dizem que serão os pobres os prejudicados. Trata-se de uma mentira.

Antes de ser contrário à reforma da previdência, analise os dados. Leia os estudos dos especialistas. Procure saber por qual razão cada grupo organizado age contra ela. Faça a pergunta: quem ganha com o modelo de hoje e quem perderá com uma reforma, que obviamente deverá ser bem debatida.

Estamos comprometendo cada vez mais orçamento com ela e a perspectiva, com o envelhecimento da população, é piorar. E, lembre-se, como o envelhecimento e o acesso a ela são desiguais, a tendência é a desigualdade aumentar ainda mais.

Não importa o governo, se é FHC, Lula, Dilma, Temer ou Bolsonaro, o assunto é sério demais, pois que compromete nosso futuro, para ficar sendo usado como picuinha de torcida organizada.

Tenha coragem. Faça uma avaliação pormenorizada, para além das linhas aqui rascunhadas, e tire suas conclusões. Ser progressista é defender a mudança do status quo previdenciário no país e não o inverso.

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