Prefeitura do Natal decreta lockdown eleitoral na cidade

Através de decreto unilateral baixado hoje, o prefeito Alvaro Dias instituiu lockdown eleitoral em Natal. Não pode aglomeração, caminhada e até carreata fica vedada. O discurso contraria tudo o que o poder público municipal disse até ontem, pois o discurso era de triunfalismo diante da pandemia de covid-19.

Cabe lembrar que Álvaro Dias abriu o comércio do Alecrim em pleno pico da pandemia e procurou se antecipar aos decretos estaduais, flexibilizando tudo. Já até anunciou que desarmou parte dos leitos para covid-19, que estariam, segundo ele, ociosos.

Ora, caro leitor, são nessas horas que fica claro quem tem sensatez. Quem não age modulando a opinião ao sabor do momento. E, sejamos objetivos, quem é a favor da democracia não pode aceitar.

Se fosse Fátima decretando lockdown eleitoral, o mundo já teria acabado. E no caso é pior. É um prefeito que irá se beneficiar com a própria regra contra tudo que pregou até ontem. Alvaro Dias faltou ao último debate da Band. Liderando todas as pesquisas, quanto menos campanha tiver melhor para ele. Diante do quadro, o decreto vira diversionismo.

Não é ser a favor de quem quer que seja, mas a favor da democracia, do debate e do mínimo de igualdade entre os candidatos. O prefeito e seus vereadores serão beneficiados e não é justo. Cobre regras sanitárias que sejam justas e equivalentes com as já praticadas pela economia.

Mas, ao menos por enquanto, ficamos assim em Natal. PODE: academia, praia, shopping, salão de beleza, escola privada, bares, restaurantes, etc. NÃO PODE: reunião política para debater Natal.

Será que o dito comité científico de Natal, montado para analisar o cenário da covid-19 na cidade, irá chancelar tais contradições? Seria importante avaliar a fundamentação técnica do famigerado decreto.

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