Problema de Haddad é saber em que medida ele será um “poste” de Lula

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad segue o roteiro para substituir o presidente Lula na ponta da chapa presidencial em momento oportuno. É a consequência certa. Não fizeram o que fizeram para que Lula pudesse vir a ser candidato depois.

Haddad, dada a rejeição de Michel Temer, tem chances objetivas de chegar ao planalto. Como ele se comportará? É aí que mora o problema de sua candidatura. Com uma passagem ruim pela administração municipal da principal cidade do país, perdendo de máquina na mão em primeiro turno, em que medida ele será um “poste” de Lula?

Certamente, quem votará nele espera que ele não tenha luz própria. A operação é típica de política interiorana em que um líder bem avaliado, mas com problemas judiciais, lança-se candidato e depois substitui seu nome por um de um terceiro. Se possível, sem tempo para retirar a foto do indicador da urna eletrônica.

Nas duas situações extremas, Haddad representa uma postulação cheia de poréns. Dada a inabilidade que apresentou em São Paulo, quando gastou parte do seu capital político, por exemplo, por conta de uma linha no chão, se ele demonstrar total protagonismo há o risco de agir como foi a Dilma, a sucessora que quis se descolar de seu mentor e do seu partido e foi em parte responsável pela sua queda. Se virar mero boneco de Lula e do PT que liderança exercerá?

Sim, claro. É possível encontrar uma gradação, um meio termo. Só que eleição não é tiroteio no escuro. O Brasil não aguenta outra Dilma Rousseff.

PS. Alguns dos meus amigos ressaltam sua extenso e irretocável currículo acadêmico. Ora, mas isso não quer dizer absolutamente nada. Para além do preconceito, o fato é que títulos universitários não geram necessariamente bons líderes. A história está cheia de exemplos.

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