Prognóstico: uma análise da eleição até aqui

PROGNÓSTICO: UMA ANÁLISE DA ELEIÇÃO NO RN ATÉ AQUI
 
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PESQUISAS
 
Quando se fala em pesquisa eleitoral muita teoria da conspiração acaba ganhando o cenário. Via de regra, pequenas diferenças nos resultados se justificam muito mais por simples margens de erro, forma como a equipe de campo foi treinada e faz a pergunta, outras especificidades metodológicas e demonstração dos números (o que sequer depende dos Institutos). Como parte implicada, escrevo para não puxar a sardinha para o instituto que ajudo a fazer. Me interessa avaliar as tendências gerais eleitorais de hoje.
 
O TEMPO DA POLÍTICA IRÁ SE ACELERAR
 
Primeiro, cabe tomar como base a evolução da eleição até agora, quando já terminou a pré-eleição e entramos especificamente no pleito com o guia eleitoral na Tv. O tempo da política ocorrerá de forma mais intensa de agora em diante. As pessoas procurarão, num curto prazo fixo, tomar pé sobre quem são os candidatos de forma mais enfática do que fizeram nos meses anteriores. Ainda assim, há tendências claramente delineadas que se acelerarão a partir de agora.
 
DISPUTA AO GOVERNO
 
Fátima Bezerra
 
E o que há de concreto na disputa ao governo é que Fátima segue em primeiro lugar. Seu nome está, até o presente momento, consolidado em tal posição. Há leve viés de alta para ela. Fátima se beneficia do fato de ter um palanque local leve e pelo clima de aposta numa nova via que o contexto gera em face da alta rejeição de Temer. Se o cenário não apresentar alteração, é possível que o pleito seja resolvido em primeiro turno. Hoje, na grande maioria das pesquisas publicadas, a possibilidade se encontra na margem de erro.
 
Carlos Eduardo Alves
 
O ex-prefeito enfrenta uma situação delicada e para isso cabe uma comparação concreta. Desde que deixou a prefeitura em Abril e passou a rodar o RN, seu viés tem sido de queda. Naquele momento, alguns levantamentos o aproximavam do patamar de 20%. Hoje, ele se distancia cada vez mais disso. É uma tendência ruim para ele. CEA sofre com um palanque cheio de políticos históricos num momento em que a classe política enfrenta forte rejeição. O apoio de Rosalba foi importante para ele, mas o nome do vice Kadu Ciarlini não agregou valor a sua chapa. Por fim, sua vitrine fundamental – a cidade do Natal – não vem bem. Um dado objetivo serve de exemplo: ao atacar Robinson Faria por atrasar os salários o eleitor inevitavelmente lemrará que ele produziu situação semelhante quando prefeito.
 
Robinson Faria
 
O governador sofre com a avaliação negativa de seu governo e com o problema da segurança pública no RN. Ele demorou a mudar o tom de sua comunicação. Mas quando ela ocorreu é insofismável que passou a gerar resultado. A enfase nas realizações, ao invés de procurar justificar os problemas fiscais, atrasos salariais e o cenário nacional de violência, o tirou dos 2% dos votos e o levou ao patamar dos cerca de 10 de hoje. Sua avaliação negativa, que segue elevada como já disse, apresentou retorno ao patamar inferior a 80%. É preciso saber se no tempo acelerado da eleição no próximo mês tal linha permanecerá.
 
Carlos Eduardo Alves x Robinson Faria
 
É a disputa que mais tem chamado nossa atenção até o presente momento. Uma tendência é insofismável. Hoje, Cea olha muito mais para o retrovisor com a aproximação de Robinson do que vislumbra uma aproximação da primeira colocada Fátima Bezerra.
 
Há, do meu ponto de vista, um erro tático fundamental que cria tal situação. Carlos Eduardo Alves partiu do pressuposto de que Robinson e Micarla são a mesma coisa. Ora, quando fez oposição a Micarla e se elegeu, CEA combatia uma política já praticamente fora da disputa e sem defensores. A crise administrativa gerada pela borboleta ocorreu num momento em que o Brasil não passava por grandes problemas. Pelo contrário, ainda era de crescimento. E a “vitrine” de CEA era a da gestão anterior a que Micarla tinha feito. Robinson enfrenta uma crise que não tem relação com o contexto pelo qual passou Micarla. Além disso, a “vitrine” de Cea é a de sua última gestão, como disse, também atravessada por problemas fiscais. A comparação formulada por Cea soa pouco verossímil ao eleitor em que o próprio sequer justifica os impasses de seu último mandato.
 
Robinson, além disso, demonstrou infinitamente mais coragem de ir para o pleito do que Micarla, que achou que seria “esquecida” pelos seus algozes. A impressão que fica é que o grupo de Cea não esperava que Robinson iria para campanha mostrar que, apesar da crise, ele tem o que apresentar. Micarla foi de uma ingenuidade tremenda. Cabe lembrar que o primeiro ano de sua gestão ocorreu com Agripino controlando a secretaria de planejamento, a chave do cofre, e os anos posteriores com Henrique Alves e Garibaldi ocupando secretarias de relevo de sua gestão (secretaria de obras e outras), e prometendo fazer a ponte com o governo federal. No entanto, não teve coragem de ir para a eleição demonstrar isso e ficou a mercê da narrativa que foi construída contra ela durante o pleito de 2012. Os Alves, aparentemente inimigos naquele momento, se recompuseram e ela ficou sem escudo na história.
 
SENADO
 
Capitão Styvenson
 
A disputa pelo senado também é interessante. O crescimento de Styvenson é uma grande novidade. Remando no desgaste da classe política e no seu tabalho como agente da lei seca, ele já lidera em todas as pesquisas.
 
Styvenson morde o voto de “aposta” contra os políticos. Ele já disse que não apoiará ninguém e não tem ligações com nenhum candidato, procurando um partido – a rede – que não lhe pedisse nada.
 
Não se sabe ao certo o que fará como senador. Ele não tem posição sobre praticamente nada do que está sendo debatido como agenda política no Brasil contemporâneo. Também não deixa claro o que fará, caso se torne representante do RN. Diz que irá ajudar o Estado. Mas de que forma? Não se sabe ao certo.
 
Só que, o que certamente será um problema depois de eleito, já que não pode ser contra e a favor da Bolsa Família, contra e a favor do porte de arma, etc, é justamente sua força hoje. Com fama de incorruptível, ele paira acima de questões que inevitavelmente terá de se posicionar caso seja eleito.
 
Styvenson é beneficiado também pelo curto período de campanha, com a mudança de legisção. O escrutínio contra todos acaba sendo menor. Para ele, do jeito que atua, um pleito de três meses apresentaria travessia mais difícil do que o de apenas um mês. Além disso, a lógica de campanha ao senado de dois votos dificulta o ataque entre todos os candidatos. Se a eleição fosse de um voto, ele estaria sendo fortemente atacado. Como é de dois votos, ninguém se critica porque sabe que pode perder o segundo voto daquele candidato, sofrendo efeito bumerangue.
 
Cultivo uma curiosidade: quero saber como o eleitor irá se comportar diante de um candidato sem apoio, sem tempo de tv e que nega todas as pontes políticas possíveis. Só saberemos no decorrer da campanha.
 
Garibaldi Alves
 
O senador que já teve um milhão de votos num pleito anterior, apresenta viés leve de queda. E há razões para tanto. Com a saída de Agripino da disputa majoritária, hoje é a principal figura de uma classe política desgastada. Além disso, sofre com a associação com a figura de Henrique, Temer e o impeachment. Terá a tarefa inglória de justificar suas votações em favor de Temer e suas rejeitadas reformas. Em seus primeiros programas de Tv tentou eclipsar o problema, apresentando fotos com Fátima e Lula e não com o seu candidato ao governo Carlos Eduardo Alves. Diz ser o mais experiente. Será em vão. O contexto informacional da campanha lhe cobrará explicação sobre suas posições nos últimos anos.
 
Sendo, de longe, o candidato ao senado mais conhecido entre os eleitores, sua situação é delicada. Está empatado na segunda posição com Zenaide, que ainda crescerá pela associação com Lula, Fátima e por ter votado, como deputada, contra Temer. Zenaide, além disso, não é conhecida por parte considerável do eleitorado, o que ocorrerá durante o pleito. Enfim, a situação de Garibaldi é extremamente difícil.
 
Dra Zenaide Maia
 
A deputada federal, Zenaide Maia, que disputa o senado pela primeira vez, é beneficiada pelas posições contra Temer que tomou durante todo o seu mandato e por ter votado contra o impeachment de Dilma.
 
Ter Lula e Fátima, líderes incontestáveis no RN de hoje, como principais apoiadores é um trunfo forte. A minha hipótese é que, na medida em que o eleitor a associar ainda mais a Lula e Fátima e ela se tornar mais conhecida, continuará a crescer.
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
Como sei que serei cobrado pelos meus prognósticos, analiso para não falhar. Nos comentários, colocarei os que fiz de 2008 até aqui. Sem errar nenhum. E sem nenhuma falsa modéstia, penso que também não errarei agora.

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