Radicalismo da militância petista afasta possíveis apoiadores da candidatura de Fátima Bezerra

Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que as lideranças do PT agem pouco pautadas pela propalada “narrativa do golpe”, uma inteligente versão sobre os fatos forjada para esconder o fracasso que representou o governo Dilma. O próprio ex-presidente Lula, em seu livro entrevista recém lançado, deixa claro o papel que Dilma desempenhou na própria queda. Mas a militância dotada de razão unitária comprou a ideia e isto têm consequências nem sempre positivas.

Na já tradicional festa de aniversário da senadora Fátima Bezerra, o deputado federal Rafael Motta, nome máximo do PSB no RN, foi vaiado de corpo presente. Saiu às pressas.

Um parêntese. Criou-se uma lógica de auto-afirmação militante entre a juventude petista, em que se destaca aquele que mais combater o “golpe”. Isto cria argumentações e atitudes risíveis. Na ânsia de querer justificar o escracho contra o deputado federal já mencionado, chegaram a reproduzir nas redes sociais de militantes que ele era um “membro da elite branca a favor do assassinato de negros pobres”.

Em outro momento, que ele era conservador por ter votado a PEC do teto de gastos. Ora, praticamente todos os governadores da esquerda implementaram a mesma PEC em seus estados. Conservadorismo?

Esta caracterização não é apenas injusta, como também falsa. Motta tem atuação moderada e voltada para os municípios potiguares e juventude do RN. Tem sido assim desde a câmara municipal quando intermediou os diálogos, sem intervenção policial, com manifestantes que ocupavam aquela casa.

Retomando. Seu gesto de ir parabenizar pessoalmente a pré-candidata ao governo era objetivo. Poderia se desenhar um apoio do PSB às intenções de Fátima Bezerra, que será candidata ao governo em 2018.

O problema é que, como contou um pessebista ao blog, não há como apoiar uma candidatura em que o apoiador não pode sequer se aproximar do apoiado, sob pena de correr riscos.

As conversas entre PT e PSB, que vinham caminhando, andaram algumas casas para trás. Isto significa perda de acesso às redes locais, prefeitos e tempo de tv.

Fátima é tida como uma das favoritas para 2018. Lidera em todas as pesquisas. Só que não é prudente ficar desperdiçando apoios assim. Isolacionismo nunca ganhou eleição.

E vamos imaginar que ainda assim seja possível. A militância petista nunca olhou para a Assembleia (ou para os prefeitos com os quais a senadora mantêm relações políticas de aliança)? Fátima terá de formar uma maioria na casa para aprovar projetos. E aí? Como será?

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