RN tem a segunda maior taxa de contágio de coronavírus do Brasil, mostra levantamento

Foto: Reprodução/O Globo/PUC-Rio

Apesar de o Brasil ter registrado mais de 400 mil casos e 25 mil mortes por Covid-19 nessa quarta-feira, prefeitos e governadores planejam a retomada da economia e medidas menos rigorosas de isolamento. Uma pesquisa sobre a taxa de contágio do coronavírus pelo país mostra que ela ainda é alta, apesar de ter caído.

Na última semana, cada brasileiro infectado transmitiu o vírus em média para mais 1,9 pessoa (ou seja, cada dez doentes infectam 19 brasileiros), índice ainda muito longe do 1,0 necessário para estabilizar a epidemia.

Os números foram estimados pelo grupo Covid-19 Analytics, do qual participa a PUC-Rio.

De 2,53 em 1º de maio, o número básico de reprodução (que indica a taxa de espalhamento do vírus e é representado em estudos pela variável R) chegou a 1,92 no domingo, o que ainda é considerado preocupante pelos epidemiologistas.

Quando se avalia este índice por estado é possível ter uma radiografia mais fiel do estágio em que a doença se encontra no território. As taxas mais alarmantes de crescimento estão em estados onde a epidemia ainda não avançou tanto. Hoje, os maiores índices de R estão na região Centro-Oeste e numa faixa do Norte e do Nordeste.

Ninguém possui uma taxa tão alta quanto Goiás. Por lá, cada habitante diagnosticado com Covid-19 aparentou contaminar em média 5,63 pessoas durante o período de infecção. A curva do estado está em franca evolução. No último dia 8 (ou seja: há menos de três semanas) o R era de 1,19.

No Rio Grande do Norte (segunda maior taxa conforme mapa neste levantamento), a ascensão também chama a atenção. Neste mesmo período, o índice subiu de 1,9 para 4,88. Já o Mato Grosso do Sul viu o índice saltar de 0,81 em 30 de abril para 4,93 em 15 de maio. Nos últimos dias, a taxa sofreu leve queda, mas se mantém como uma das mais altas do pais: 3,81.

É esperado que estados com a epidemia de início mais recente tenham número crescendo mais rápido, dizem os cientistas.

— Goiás tem menos de 3 mil casos registrados. A tendência é de, quando chegar num patamar maior, este número começar a baixar. Está com menos de 400 casos por milhão de habitantes. Quando os casos estão muito baixos, não chega a ser tão preocupante — afirma Gabriel Vasconcelos, pesquisador da Universidade da Califórnia e membro do Covid-19 Analytics. — O problema é se esse índice se mantiver alto por um longo período.

Rio sofre com oscilação

É justamente este o caso do Rio de Janeiro e de São Paulo, principais focos da Covid-19 no país. No primeiro estado, que já registra mais de 40 mil casos, a taxa é de 2,04.

Como é altamente afetado por medidas tomadas pelas autoridades e pela própria população, este índice pode oscilar. É o que tem ocorrido no Rio. Em 20 de abril, registrava 1,71. Em 2 de maio, chegou a 2,28. Oito dias depois, atingiu seu patamar mais baixo: 1,65. Até crescer novamente.

Na prática, a taxa atual de 2,04 do Rio indica que o número total de contaminados irá dobrar num intervalo curto de tempo. Nas projeções feitas pelo grupo, o estado chegará aos 80 mil infectados em 9 de junho.

São Paulo, campeão de notificações no país, com quase 90 mil casos, possui índice menor que o do Rio, mas ainda alto: 1,55.

Hoje, quem está mais próximo da estabilidade é o Ceará. O terceiro estado em casos de Covid-19 (mais de 37 mil) registra R de 1,08. A taxa cearense foi de 3,01 em 22 de abril e tem caído desde então.

— O índice abaixo de 1,0 significa que, na média, cada doente vai contaminar menos do que uma pessoa. Então, o numero de infectados vai diminuir. Se a taxa for 0,5, quer dizer que, a cada duas pessoas com Covid-19, só uma nova vai contrair doença — explica Vasconcelos, que vê com cautela as tendências de queda registradas em alguns estados.

— Antes da segunda quinzena de junho não vamos ver um índice menor do que 1,0 no Brasil. Talvez em alguns municípios. Mas nos estados demora um pouco.

O cálculo para chegar ao índice de reprodução inclui fatores como a taxa de crescimento e os números de pacientes recuperados e de casos ativos (que estão com a Covid-19 no momento). O ciclo de infecção da doença considerado foi de 20 dias.

O Globo

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