Sobre a surrada tese da seletividade da crítica e os cortes orçamentários nas UFs e IFs

SOBRE A SURRADA TESE DA SELETIVIDADE DA CRÍTICA E OS CORTES ORÇAMENTÁRIOS NAS UFs E IFs

Ainda lembro. Dava a disciplina de teoria sociológica II, se não me falhe a memória, como docente bolsista recém doutor em 2015 no curso de serviço social da UFRN. E, em numa tarde, um membro do dce-ufrn, a representação oficial dos estudantes daquela universidade, bateu e pediu a palavra para fazer um rápido informe.

Naquele momento, após mencionar cortes do governo federal para o funcionamento das UFs, o discente convocou os alunos para uma série de debates e manifestações críticas sobre o acontecimento. A então presidente Dilma Rousseff pregava em prol da efetivação de um ajuste fiscal e ficou sem base, inclusive entre seus apoiadores históricos.

Normalmente, as pessoas se esquecem de fatos do passado. Elas têm outras coisas em mente ou mesmo não acompanharam determinadas situações. Afinal, ninguém é obrigado a saber de tudo, nem ficar por dentro de todos os assuntos.

Tal esquecimento e/ou alheamento é sempre utilizado politicamente, óbvio, quando convém. Agora, quem faz uso são os que querem justificar o inexplicável. Agem como se enxergassem em estudantes e professores os seus inimigos. Ou, como dizem, da pátria (que não deveria ser imaginada em oposição aos livros e aulas).

Desde 2015 que os Institutos e as universidades estão perdendo orçamento e, o anunciado corte por Bolsonaro, não é problemático porque ele é o presidente. A ótica não é do PT x Bolsonaro. Ou da esquerda x direita. O fato que preocupa e mobiliza é que as UFs e IFs já funcionam em seus limites. O supressão de recursos, como enfatizou a sempre ponderada reitora da UFRN, Ângela Paiva, irá inviabilizar suas atividades.

Portanto, não há aqui uma questão de ser contra Bolsonaro ou de fazer uma crítica atual, de forma seletiva, que fora deixada de lado no passado. Nem a seletividade é verdadeira na situação, nem muito menos é Bolsonaro a razão da preocupação de reitores e de quem faz parte da comunidade acadêmica.

Há uma ampla campanha de difamação contra as universidades e institutos. É a já conhecida tática de fazer circular, sem data para o narrado e por caminhos anônimos, fatos isolados desabonadores, comuns a qualquer instituição construída abaixo do sol, até que eles, de alguma maneira, façam sombra sobre os amplos e cotidianos serviços prestados pelas universidades e institutos para o desenvolvimento do RN.

É preciso ultrapassar a nuvem agora condensada e perceber que um bloqueio de orçamento como o feito, no meio do semestre e sem qualquer planejamento prévio, deveria atormentar qualquer um que diz enxergar na educação um caminho de geração de cidadania, de dignidade e de mobilidade social. A preocupação, caros bolsonaristas que me seguem por aqui, é esta. O resto não passa de espantalho.

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