SOBRE O AUTOR


Cientista Político, Doutor em Ciências Sociais (UFRN), Professor Substituto da UFRN e diretor do Instituto Seta. Autor do livro: pesquisa de opinião e eleitoral: teoria e prática. E co-autor do Geografia do Voto em Natal.

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Atualizada em 24/05/2017 às 22h05

Do Estadão - BRASÍLIA - Deputados da base e da oposição trocaram socos, empurrões e pontapés nesta quarta-feira, 24, no centro do plenário da Câmara dos Deputados. A confusão foi generalizada, e o deputado André Fufuca (PP-MA), que presidia a sessão no momento, pediu o auxílio de seguranças da Câmara dos Deputados.

Entre os que estavam no meio do empurra-empurra, foi possível ver os deputados Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Carlos Marun (PMDB-MS), da base, e Alessandro Molon (Rede-RJ), da oposição. Mas a briga envolveu grande número de parlamentares.

O clima só se acalmou quando o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), retornou à Mesa e informou que a sessão estaria suspensa por 30 minutos.

Parlamentares do PT, PDT, PSOL e Rede subiram em cima da Mesa Diretora e ficaram ao lado do segundo-vice-presidente da Casa, deputado André Fufuca, que presidia a sessão, para pressionar o parlamentar maranhense a encerrar os trabalhos. Ao ver o protesto, deputados governistas também subiram, para tentar "proteger" Fufuca da pressão. Foi neste momento que Edmilson e Perondi se empurraram.

Os opositores protestam contra a reação da polícia à manifestação realizada em frente ao Congresso Nacional contra as reformas trabalhista e da Previdência e contra o governo Michel Temer, abalado por crise política deflagrada pela delação premiada da JBS. Eles gritam palavras de ordem contra o governo como "Fora Temer" e "O povo quer votar, diretas já". "Lula na cadeia", reagem parlamentares da base.

Mais cedo, deputados como o líder da oposição na Câmara, José Guimarães (PT-CE), Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Orlando Silva (PC do B-SP) relataram reação exagerada da polícia durante o protesto realizado pelas centrais sindicais em frente ao Congresso. De acordo com os parlamentares, policiais jogaram bombas de gás e spray de pimenta em pessoas que não estavam cometendo delitos, inclusive em alguns deputados.

Parlamentares da oposição recolheram algumas dessas bombas de gás e trouxeram para dentro do plenário. Eles posicionaram os instrumentos em frente da Mesa Diretora. A pedido de Fufuca, a segurança da Casa retirou os equipamentos. Com a confusão, Maia foi chamado às pressas e assumiu o comando dos trabalhos.

Câmara dos Deputados: Câmara tem sessão tumultuada com protesto de entidades sindicais em ato pedindo "Fora Temer" na Esplanada dos Ministérios em frente ao Congresso Nacional em Brasília© Dida Sampaio/Estadão Câmara tem sessão tumultuada com protesto de entidades sindicais em ato pedindo "Fora Temer" na Esplanada dos Ministérios em frente ao Congresso Nacional em Brasília

Estopim. A tensão no plenário da Câmara atingiu momentos dramáticos depois que chegou a informação aos parlamentares da oposição de que Maia havia solicitado ação das Forças Armadas para reforçar a segurança.

Parlamentares da oposição imediatamente cobraram de Maia, que presidia uma sessão já marcada por grande tumulto e desordem, uma posição oficial.

Diante da resposta afirmativa do presidente da Câmara de que havia pedido apoio "apenas" da Força Nacional, o plenário incendiou com os parlamentares aos gritos, lembraram que o ato marcava um momento histórico triste para Nação que não acontecia desde a redemocratização do País.

O estopim para o plenário virar campo de batalha foi a declaração do ministro da Defesa, Raul Jungmann, de que a decisão do presidente Michel Temer de decretar uma ação de Garantia da Lei e da Ordem, com uso de tropas federais, foi tomada após solicitação de Maia por causa da violência dos manifestantes na Esplanada do Ministérios.

Maia, então, deixou o plenário para se reunir com os líderes, mas teve que retornar pouco tempo depois porque deputados da oposição e da base de apoio ao presidente Michel Temer começaram a trocar socos e empurrões. Ele teve que voltar para dar mais explicações e tentar acalmar os ânimos. Acabou suspendendo a sessão.

Daniel Menezes Daniel Menezes Saiba Mais
Atualizada em 24/05/2017 às 22h05

Da Revista Exame - São Paulo – O governo federal autorizou que tropas da Força Nacional façam a segurança da Esplanada dos Ministérios durante protesto em Brasília na tarde desta quarta-feira. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann

“Uma manifestação que estava prevista como pacífica degringolou para a violência, vandalismo e desrespeito, agressão ao patrimônio público,  ameaça às pessoas, muitas delas servidores que se encontram aterrorizados, que nós estamos garantindo sua evacuação”, afirmou o ministro. 

Segundo ele, em resposta a pedido de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, Michel Temer autorizou a ação de garantia de lei da ordem. Segundo ele, tropas do exército irão fazer a segurança dos prédios da Esplanada dos Ministérios.

“O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável a baderna e o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições”, disse o ministro.

Daniel Menezes Daniel Menezes Saiba Mais
Atualizada em 24/05/2017 às 10h05

A primeira vítima havia sido Gilmar Mendes, que teve conversa com Aécio Neves publicada. No bate-papo nada há de criminoso. Aécio pede para que Gilmar tente convencer o senador Flexa Ribeiro sobre a importância do projeto de Lei de Abuso de Autoridade. A publicação tinha notória intenção de fazer carga contra o projeto. Como Gilmar está se tornando uma unanimidade nacional - negativa -, ficou por isso mesmo. Agora o negócio é mais embaixo. Fizeram com alguém da imprensa.


Do FolhaPress - O Supremo Tribunal Federal tornou públicas milhares de conversas interceptadas no inquérito envolvendo a JBS que não foram consideradas relevantes pela Polícia Federal.

Uma dessas conversas traz o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e então blogueiro da revista “Veja”, conversando com uma fonte, a irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Andrea Neves.

O diálogo foi interceptado pela Polícia Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República e com autorização do STF, durante as investigações resultantes das delações da JBS. Andrea foi presa na semana passada.

As conversas telefônicas foram grampeadas pela PF em abril. O jornalista não era alvo das investigações –a pessoa grampeada era Andrea, delatada pelos donos da JBS.

Os áudios integram um lote de 2.200 gravações entregues à imprensa na semana passada pela assessoria do STF após o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, decretar o fim do sigilo do caso, na semana passada, a pedido da Procuradoria. Muitas delas não tratam da investigação.

Em seu despacho que abriu os sigilos, Fachin argumenta que a Constituição veda a restrição da publicidade em prol do interesse público, inclusive acima do direito à intimidade dos interessados.

O texto do ministro não menciona a existência de conversas grampeadas com jornalistas nem o direito ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição.

O ministro não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre a liberação de gravações envolvendo jornalistas e outros casos sem ligação com a investigação.

Procurada, a presidente do STF, Cármen Lúcia, respondeu: “O Supremo Tribunal Federal tem jurisprudência consolidada no sentido de se respeitar integralmente o direito constitucional ao sigilo da fonte. A presidente do STF reitera o seu firme compromisso, que tem sido de toda vida, de lutar, e agora, como juíza, de garantir o integral respeito a esse direito constitucional”.

A Procuradoria diz que não se baseou nos áudios, mas nos relatórios da PF, que não mencionam o diálogo do jornalista com a irmã de Aécio. “Todas as conversas utilizadas pela PGR em suas petições constam tão somente dos relatórios produzidos pela Polícia Federal, que destaca os diálogos que podem ser relevantes para o fato investigado. Neste caso específico, não foi apontada a referida conversa”, disse.

Procurada, a Polícia Federal informou, em nota, que os diálogos interceptados foram realizados no mês de abril de 2017, por decisão de Fachin, e que, por não dizer respeito ao objeto da investigação, a conversa entre Reinaldo Azevedo e Andrea Neves não foi lançada em qualquer dos autos circunstanciados.

Daniel Menezes Daniel Menezes Saiba Mais
Atualizada em 24/05/2017 às 10h05
O Departamento Estadual de Trânsito do RN (Detran), por meio da Operação Lei Seca, realizou três dias de fiscalização abrangendo as cidades de Santa Cruz, Caicó e Parnamirim. A operação com intuito de combater a mistura álcool e direção veicular resultou em 106 condutores notificados, 32 infrações diversas registradas e quatro veículos apreendidos. As intervenções foram efetivadas durante o final de semana, sendo uma no domingo (21), na festa da padroeira da cidade de Santa Cruz. Outra no sábado (20), em Caicó, e a terceira na sexta-feira (19), na Avenida Gastão Mariz, cidade de Parnamirim. Os números apontam que a maior quantidade de motoristas flagrados desrespeitando a Lei Seca foi registrada na cidade de Santa Cruz, 61. Já em Caicó foram 29, e Parnamirim 16. O coordenador da Operação Lei Seca, capitão Isaac Paiva, contou que a equipe de fiscalização conseguiu evitar que um motorista suspeito de embriaguez pegasse a estrada conduzindo um caminhão carregado de frangos. “O condutor foi abordado pelos policiais e se negou a fazer o teste do bafômetro, então foi autuado administrativamente pela recusa”, explicou o capitão. O motorista flagrado dirigindo embriagado é punido com retenção da CNH, apreensão do veículo, que só será liberado com a presença de um condutor habilitado, multa no valor de R$2.934,70 e sete pontos na carteira, além de outras penalidades administrativas (artigo 165 CTB). Isso se o teste de bafômetro acusar até 0,33 mg/l de álcool por litro de sangue no organismo ou se ele se recusar a fazê-lo. Se o teste acusar a partir de 0,34 mg/l, ou se ele se recusar a fazê-lo, mas apresentar sinais visíveis de embriaguez, além de responder nos termos do artigo 165, vai ser enquadrado no artigo 306 (crime de trânsito): será preso e conduzido à Delegacia de Polícia, onde será iniciado o devido processo legal, respondendo pelo crime que prevê a punição de seis meses a três anos de prisão. 
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Atualizada em 24/05/2017 às 10h05

O deputado federal Fábio Faria (PSD) destinou uma emenda no valor de R$ 660 mil para a Secretaria de Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte (Semarh), especificamente para instalação de poços em 50 municípios das regiões Central, do Médio e Alto Oeste, Vale do Açu, Seridó e Agreste, bastante afetadas pelos efeitos da estiagem prolongada. Os recursos vão ajudar a reduzir o déficit no número de poços perfurados que ainda não funcionam.

“Os poços são uma das principais alternativas para garantir o abastecimento da população em áreas rurais durante a seca. Esses recursos vão ajudar diversos municípios do RN a terem água enquanto não chega a transposição do Rio São Francisco, um dos nossos pleitos mais fortes no Ministério da Integração Nacional”, afirmou o deputado.

O secretário da Semarh, Ivan Lopes Júnior, ressalta que, no Estado, existem diversos poços perfurados sem funcionar muitas vezes pelo fato da instalação ter um custo bem mais alto que o de perfuração. “Emenda de extrema importância para ajudar a secretaria a avançar nos serviços de instalação de poços pelo Estado, inclusive em centros urbanos. É angustiante ver muitas comunidades com poços, mas ainda sem água pela falta de instalação”, disse.

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Atualizada em 24/05/2017 às 10h05

Em sua primeira manifestação desde que veio à tona a delação da JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu em artigo o acordo firmado com os irmãos Batista. No texto, Janot aponta que a delação é “muito maior que os áudios questionados”, justifica a concessão de imunidade penal aos delatores – que não serão denunciados pelos crimes que revelaram no acordo – e diz estar “convicto” de que tomou a decisão correta.

Desde a semana passada, os benefícios concedidos aos delatores têm sido alvo de crítica e o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista em conversa com o presidente Michel Temer vem sendo questionado.

Ontem, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, indicou que os benefícios concedidos aos empresários da JBS poderão ser revistos pela Corte. “Realmente, a negociação pode partir do Ministério Público, mas quem fixa os benefícios é o Judiciário. Nesta delação de agora, o ministro Edson Fachin somente homologou o acordo nos aspectos formais, não o conteúdo em si, o conteúdo em si será avaliado pelo órgão julgador, que é o plenário do Supremo”, afirmou Marco Aurélio.

A defesa do presidente se concentra na suposta alteração da gravação, que foi submetida à Polícia Federal para realização de perícia. Na mira das críticas, Janot publicou artigo no portal UOL. Quase simultaneamente à reação do procurador-geral, a defesa do presidente Michel Temer informou que vai pedir a separação do inquérito que investiga o peemedebista e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

O criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, advogado do presidente, também estuda questionar a “prevenção” do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, de conduzir o caso. Fachin homologou a delação da JBS, autorizou ações controladas pela PF e PGR e abriu o inquérito contra Temer.

Mariz fez um périplo ontem pelos gabinetes de ministros do STF que começou pela manhã e terminou só à noite. Fachin teria informado a equipe do advogado de que a perícia da Polícia Federal pode demorar.

Ao relatar que foi procurado pelos irmãos Batista no início de abril, Janot afirmou que os empresários entregaram “crimes graves em andamento”. “Trouxeram eles indícios consistentes de crimes em andamento – vou repetir: crimes graves em execução –, praticados em tese por um senador da República e por um deputado federal”, escreveu Janot, sem citar os nomes de Aécio e do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), flagrados em gravações.

Sobre a relação de Joesley com Temer, o procurador-geral apontou que os delatores “apresentaram gravações de conversas com o presidente da República, em uma das quais se narravam diversos crimes supostamente destinados a turbar as investigações da Lava Jato”.

‘Aterradores’. Os fatos, nas palavras de Janot, são “aterradores” e vieram junto a “dezenas de documentos e informações concretas” sobre contas no exterior e pagamento de propina.

Janot afirmou que os benefícios concedidos “podem parecer excessivos”, mas que a alternativa seria a não celebração do acordo de delação, que, em sua avaliação, acabaria sendo pior para o País. Ele disse ainda que, se o acordo tivesse sido recusado, os delatores “continuariam circulando pelas ruas de Nova York, até que os crimes prescrevessem, sem pagar um tostão a ninguém e sem nada revelar, o que, aliás, era o usual no Brasil até pouco tempo”.

O procurador questionou “até onde o País estaria disposto a ceder para investigar a razão pela qual o presidente da República recebe, às onze da noite, fora da agenda oficial, em sua residência, pessoa investigada por vários crimes, para com ela travar diálogo nada republicano?”

Ainda sem citar os nomes, Janot falou das informações sobre contas que teriam beneficiado os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

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Atualizada em 23/05/2017 às 14h05

Na manhã desta terça-feira (23), o Diretor Presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Marcelo Toscano afastou qualquer possibilidade de privatização da companhia. Através da divulgação de ofício enviado à presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social  (BNDES), Maria Silva Bastos Marques, em 26 de outubro de 2016, Toscano ressaltou que ao aderir ao programa do Governo Federal, o Governador Robinson Faria descartou qualquer possibilidade de privatização, “há de ressaltar que a posição do Estado do Rio Grande do Norte é a de não privatizar a Caern ou de proporcionar qualquer outra modalidade de transferência integral de suas ações ao setor privado”, afirma através de Ofício. O posicionamento de não privatizar a Caern tem sido reafirmado energicamente pelo Governador do Estado.

Os estudos que o Diretor se refere serão realizados através do Programa de Investimentos do BNDES. Toscano destaca que em todo país, 18 companhias de Saneamento aderiram ao programa. De acordo com o diretor presidente, Marcelo Toscano o estudo visa avaliar as áreas da companhia que necessitam de investimentos.

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Atualizada em 23/05/2017 às 10h05

A Polícia Federal cumpre na manhã desta terça-feira (23) mandados de prisão contra ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o ex-vice governador Tadeu Filippeli.

A operação é baseada em delação premiada da Andrade Gutierrez sobre um esquema de corrupção nas obras do estádio Mané Garrincha. No ínicio, o orçamento para a construção do estádio previa um custo de R$ 600 milhões. Ao fim, em 2014, as obras custaram R$ 1,575 bilhão. De acordo com as investigações, o superfaturamento chega a quase R$ 900 milhões.

Além dos políticos, a operação desta terça tem como alvo agentes públicos, construtoras e operadores das propinas que atuaram na época. Segundo a PF, a suspeita é de que com a intermediação dos operadores, os agentes públicos enham simulado etapadas da licitação.

A renovação do Estádio Mané Garrincha, ao contrário dos demais estádios da Copa do Mundo financiados com dinheiro público, não recebeu empréstimos do BNDES, mas sim da Terracap, mesmo que a estatal não tivesse este tipo de operação financeira prevista no rol de suas atividades.

Em razão da obra do Mané Garrincha – a mais cara arena de toda Copa de 2014 – ter sido realizada sem prévios estudos de viabilidade econômica, a Terracap, companhia estatal do DF com 49% de participação da União, encontra-se em estado de iminente insolvência.

Para recolher elementos que detalhem como operou o esquema criminoso que superfaturou a obra e lesou os cofres do GDF e da União, os cerca 80 policias envolvidos na operação foram divididos em 16 equipes. Devem ser cumpridos, no total, 15 mandados de busca de apreensão, 10 mandados de prisão temporária além de 3 conduções coercitivas. As medidas judiciais foram determinadas pela 10a. Vara da Justiça Federal no DF, todas as ações ocorrem em Brasília e arredores.

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Atualizada em 23/05/2017 às 10h05

A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou nesta segunda-feira, 22, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do Sítio de Atibaia, interior de São Paulo. Além do ex-presidente, também foram denunciados outros 12 investigados.

A Procuradoria da República, no Paraná, acusa Lula de ‘estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos políticos, políticos e funcionários públicos com a nomeação, enquanto presidente da República, de diretores da Petrobrás orientados para a prática de crimes em benefício das empreiteiras Odebrecht e OAS’. A denúncia do Ministério Público Federal atribui ao petista ‘propina para o seu benefício próprio consistente em obras e benfeitorias relativas ao sítio de Atibaia custeadas ocultamente pelas empresas Schahin, Odebrecht e OAS’.

Como nas outras duas denúncias da força-tarefa, no Paraná, a Procuradoria aponta Lula ‘como o responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal’. A denúncia afirma que o esquema ocorreu nas mais importantes diretorias da Petrobrás, mediante a nomeação de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, respectivamente, para as diretorias de Abastecimento, de Serviços e Internacional da estatal. Por meio do esquema, estes diretores geravam recursos que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, de agentes políticos e das próprias agremiações que participavam do loteamento dos cargos públicos, bem como para campanhas eleitorais movidas por dinheiro criminoso.

Também foram denunciados José Adelmário Pinheiro Filho, pela prática dos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Marcelo Bahia Odebrecht e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, pelo crime de corrupção ativa; bem como José Carlos da Costa Marques Bumlai, Rogério Aurélio Pimentel, Emílio Alves Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal, Emyr Diniz Costa Júnior, Roberto Teixeira, Fernando Bittar e Paulo Roberto Valente Gordilho, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.

Esta acusação refere-se à propina de pelo menos R$ 128.146.515,33 pagas pela Odebrecht, em quatro contratos firmados com a PETROBRAS, bem como a vantagens indevidas de R$ 27.081.186,71, pagas pela OAS, em três contratos firmados com a estatal. Esses valores foram repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), bem como aos agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema e aos responsáveis pela distribuição das vantagens ilícitas, em operações de lavagem de dinheiro que tinham como objetivo dissimular a origem criminosa do dinheiro.

Parte do valor das propinas pagas pela Odebrecht e pela OAS, no valor aproximado de R$ 870.000,00, foi lavada mediante a realização de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia, para adequá-lo às necessidades da família do denunciado Luiz Inácio Lula da Silva, assim como mediante a realização de melhorias na cozinha do referido Sítio e aquisição de mobiliário para tanto.

Também foi objeto de lavagem de dinheiro uma parte dos valores de propina oriunda dos crimes de gestão fraudulenta, fraude à licitação e corrupção no contexto da contratação para operação da sonda Vitória 10000 da SCHAHIN pela PETROBRAS, a qual foi utilizada, por intermédio de José Carlos Bumlai, para a realização de reformas estruturais e de acabamento no Sítio de Atibaia, no valor total de R$ 150.500,00.

A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.

Esta denúncia reafirma o compromisso do Ministério Público Federal com o cumprimento de suas atribuições constitucionais e legais, independentemente de qualquer consideração político-partidária, bem como com o combate incessante contra a corrupção, o mal maior com que se defronta a sociedade brasileira e que a impede de alcançar o seu desenvolvimento pleno e merecido.

A denúncia é mais um efeito da corrupção espraiada em todo o espectro do sistema político. Os últimos acontecimentos, aliás, levam a Força Tarefa da Lava Jato a manifestar seu estarrecimento diante da gravidade dos crimes que se tornaram públicos.

De fato, recentemente, vieram à tona evidências de crimes atuais praticados pelo presidente da República e por senador então presidente de um dos maiores partidos políticos. Há ainda indícios de manobras para ferir de morte a Lava Jato. Há, por fim, noticiadamente, provas de crimes em relação a mais de mil e oitocentos políticos.

Depois de três anos do início das investigações, vê-se que líderes políticos continuam a tramar no escuro a sua anistia, a colocação de amarras nas investigações e a cooptação de agentes públicos, ao mesmo tempo em que ficam livres para desviar o dinheiro dos brasileiros em tempos de crise, utilizando como escudo sua imunidade contra prisão e o foro privilegiado.

Tanto os fatos que são objeto da denúncia apresentada nesta data, como os novos fatos que se tornaram públicos na última semana, são manifestações de um mesmo problema, o apodrecimento do sistema político-partidário.

A Força Tarefa da Lava Jato se coloca ao lado dos milhões de brasileiros indignados com essas práticas e que farão de tudo, debaixo da Constituição e da Lei, para enfrentar a corrupção.

Daniel Menezes Daniel Menezes Saiba Mais
Atualizada em 23/05/2017 às 10h05
As delações fechadas pela operação Lava Jato já atingiram o mundo político do RN. Porém, ainda há um ou outro nome que passou sem citação. Só que, entre as principais lideranças potiguares, ninguém ficará de fora. Quem não apareceu ainda deverá figurar nas delações da OAS e da Queiroz Galvão. Vai sobrar para todo mundo.
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