Supremas bizarrices

Supremas bizarrices

O voto de Carmén Lúcia, tentando ficar bem com o senado, com o cidadão sedento por punições e com o voluntarioso Edson Fachin, relator da ação sobre a questão do afastamento de parlamentares pela justiça, foi um bom momento de expressão sobre o que representa o STF hoje. Desde que endossaram o impeachment tocado por Eduardo Cunha, que já não tinha mais condições de presidir a casa legislativa, ingressaram numa lógica que não conseguem sair mais. E tome desgaste.

A corte virou um espaço de bizarrices. Vazias frases de efeito são intercaladas com atitudes que desagradam a opinião pública, agora alçada a parâmetro levado em conta.

É de impressionar a forma como, através dos atuais naturalizados subterfúgios midiáticos, Fachin tentou interferir no voto dos seus pares, citando suas obras e votações anteriores. Isto foi visto como demonstração de força e de coragem do ministro. Luis Barroso, um falastrão incurável sedento por fama, foi por caminho semelhante. Tal incursão deveria, na verdade, preocupar. O voto de cada um deveria ser resguardado pela liberdade de posição e raciocínio. A situação é sintoma da degradação institucional pela qual o país atravessa.

O que fazer? O primeiro passo para começar a colocar ordem na casa seria retirar a cobertura pela Tv Justiça. Os votos são fundamentados, pelo fato de estarem sendo expostos diretamente para milhões de pessoas, na forma de um debate televisivo. Não se faz justiça com obrigações com a audiência. Isto não é transparência, é titubear diante da efetiva formação de tribunais desempenhados em tempos de execução em praça pública.

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