Tão grave quanto os vazamentos publicados pelo Intercept

TÃO GRAVE QUANTO OS VAZAMENTOS PUBLICADOS PELO INTERCEPT… é o fato de que os advogados de Lula foram grampeados por ordem do então juiz Sérgio Moro. Apesar do escândalo que o ato deveria representar, o assunto não tem recebido a atenção devida da imprensa. Algumas matérias foram publicadas na Folha e, principalmente, em sites jurídicos especializados.

Quem se diz liberal e defensor das liberdades individuais jamais poderia normalizar uma violência dessa do Estado contra um cidadão.

Vale lembrar que Moro não nega o ocorrido, mas alegou para o ainda vivo na época ministro Teori Zavascki, que o fez sem intenção. Ou seja, a polícia federal grampeou os advogados de Lula e reuniu 14 horas de conversa deles sem querer. Zavascki mandou inutilizar o conteúdo, mas não o próprio processo com a consequente declaração de parcialidade de Moro.

Não foi a primeira vez que Sérgio Moro lançou mão de tal subterfúgio. A operação do Banestado foi cancelada pelo mesmo motivo. O juiz de Curitiba também havia grampeado naquele processo os advogados de defesa dos acusados.

O apelo à opinião pública feito constantemente pela operação lava jato não serve apenas para sustentar o combate à corrupção. É uma lorota engana-bobo. Na verdade, num contexto de crise econômica, tornou possível resumir a condenação de Lula a um plebiscito sobre se existia ou não corrupção e erros no governo do PT. O processo em si ficou secundarizado.

(Uma das partes mais vergonhosas para a operação Lava Jato, mas que foi pouco comentada nos vazamentos do Intercept, acontece quando o procurador Deltan Dallagnol explicita claramente como estratégia a promoção desse plebiscito via pressão popular. Lá pelas tantas ele diz mais ou menos assim: Lula será acusado pelos três milhões do triplex, mas o povo precisa entender que a questão são os 85 milhões da Petrobrás).

Também permite até o momento em que escrevo esta nota que as arbitrariedades da Lava Jato sejam sustentadas na base autoritária do clamor popular, que blinda juízes e acusadores contra o controle das instâncias superiores.

Deixe uma resposta