Torcer pelo Brasil?

Bolsonaristas me dizem: Daniel, a eleição passou e temos que torcer pelo Brasil. Acredito que alguns de vocês também foram inquiridos de tal maneira.

Sim, eu desejo que Bolsonaro seja moderado pela prática do poder. Seria muito bom. Mas a realidade é outra. Sei que não é o que vai acontecer. Ele deu e continua dando todos os sinais para tanto.

Por que, então, devemos suspender o que é possível constatar com o mínimo de bom senso? A conversa da torcida é um chamado à desrazão e a busca pela criação de um ambiente em que, ou apoiamos tudo incondicionalmente, ou somos contra o país. A tentativa de criar esta ambiência não é nova e deveria ter sido confinada num passado triste de nossa história.

Hoje mesmo, em sua festa de posse, Bolsonaro cerceia o trabalho da imprensa que lhe fez alguma crítica sob a alegação da questão da segurança, mas, em contrapartida, libera a atuação, com credenciais vip, de jornalistas apoiadores.

Bolsonaro no poder será isso aí. Alimentará a polarização, o ataque às instituições e o relativismo da verdade factual. Se elegeu sem apoio do centro político brasileiro, com agenda extremista, gerando falsas expectativas e precisará cultivar o radicalismo na política e na sociedade por uma questão de sobrevivência.

Em sociedades livres ninguém é obrigado a torcer pelo sucesso da estratégia descrita. Até porque não terminará bem.

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