Um desabafo sobre os ataques contra mim e minhas análises sobre a crise no RN

Gostaria de fazer um pequeno desabafo, jogando a modéstia às favas. Faço o debate mais qualificado sobre a nossa crise na imprensa local, perdendo muitíssimo tempo lendo dados e documentos e sem espalhar mistificações. Tanto é que já os tenho na memória de tanto que os analiso. Faço uma análise com dados e de modo responsável. Mas tentam me desacreditar pela razão de que toco em pontos sensíveis de grupos poderosos e não atendo a teses preguiçosas e falsas.


Sou acusado de ser “pró-governo” na análise da crise. É uma acusação que certamente não me cabe. Ora, pela simples razão de que, desde 2015, faço a mesma crítica, que é também endereçada ao governo e não somente a ele: o ajuste deveria ter sido mais duro, contrariando os interesses dos três grupos também responsáveis pelo que vivemos hoje. Não o fez, achando que teria o apoio deles. 

Por esquecimento ou simples má fé, secundarizam que eu escrevi dezenas de postagens, falando sobre o perigo que a crise representava e as inúmeras críticas contra medidas que viessem a incrementar o orçamento.

É uma crítica ao funcionamento do Estado que não agrada quem queria que eu me aliasse, do ponto de vista da análise, aos seus interesses. Por isso o problema começa quando digo que não somente contra o governo, pois que há outros responsáveis também.

01) Os servidores foram atendidos na maior parte dos seus pleitos nos últimos anos. Tanto é que nossa folha, ainda que quantitativamente menor do que a da Paraíba, que tem orçamento semelhante ao nosso, custa cerca de 1,2 bilhão a mais por ano. É um problema que não se estende apenas aos salários. Não fizemos aqui a reforma do Ipern, do tamanho da nossa universidade estadual, que irresponsavelmente segue em expansão, e a reestruturação escolar por aceitar pleitos semelhantes. É uma opinião que não agrada uma legião de sindicalistas, que tentam se legitimar a partir de simplificações grosseiras. Esses grupos tiveram todo espaço no governo e ajudaram a inchar o orçamento. Agora que a bomba estourou se esquivam evasivamente, acusando terceiros de “problemas de gestão”.

02) Tenho criticado o desempenho e o poder de pressão dos poderes (TJ, mp, TCE, Al, etc), que recebem cerca de 660 milhões a mais do que os mesmos poderes da Paraíba e têm atuação inferior atestada pelos seus órgãos fiscalizadores. Eles não têm apresentado qualquer  sensibilidade diante da crise, mas o contrário. Foi por isso que critiquei a reprovação das contas de Robinson pelo TCE. Não era uma defesa do governador, mas a percepção, que se confirmou, que era uma bucha para morder o orçamento. Aliás, o que ocorreu: mesmo com a diminuição do montante, o orçamento dos poderes foi mantido e os servidores do TCE e AL tiveram aumentos homologados.

03) Sou o ÚNICO a falar e fazer postagens sobre as isenções fiscais via PROADI e subsídios no gás industrial, uma das principais despesas das empresas. Duas foram e seguem sendo minhas críticas: a natureza da concessão ao setor econômico sem justificativa estratégica. E ao cálculo feito para conceder o montante: um empresário recebe isenções para criar 10 mil empregos e só cria 5 mil. Ninguém, nem à esquerda, nem à direita, toca nesse assunto porque teme importunar gente importante com a eleição de 2018 se aproximando.

Esses são os principais pontos orçamentários a serem mexidos e grupos de interesse a serem enfrentados. Eles são muito poderosos e sabem manipular a opinião pública com questões menores, falando, por exemplo, em cargos em comissão, como se não tivéssemos a menor folha de cargos comissionados do país. A folha do MP RN de comissionados é maior do que a do executivo inteiro.

Ontem, ao mostrar que, mesmo com toda a crise, a PM recebeu as tão sonhadas progressões e seus salários foram postos em dia semanas atrás, enquanto todo mundo seguia com um calendário mais amargo, sofri com a sanha de uma horda inacreditável. Lembrei que a constituição cidadã de 1988 vedou a possibilidade de militares fazerem greve porque os legisladores, seguindo tendência internacional, reconheceram o perigo que representaria para o Estado de Direito e para a sociedade, se militares desrespeitassem à hierarquia de armas na mão e tomassem às ruas. Como, por exemplo, a justiça teria força para decretar a ilegalidade de uma greve dessa natureza? Os militares têm outros regimentos e benefícios justamente por serem um grupo especial do Estado.

Mas é isso. Não irei mudar minha forma de pensar para agradar nenhum dos grupos acima.

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