Uma certeza sobre a condenação de Lula

CERTEZA

Quando li a peça de condenação de Lula no caso do triplex, fiquei com a sensação de que três pontos eram fundamentais na argumentação para a atribuição de culpa ao presidente pelo então juiz Sérgio Moro:

1. A matéria do jornal O Globo, primeira a tocar no ponto da propriedade em questão, adquiria importância em face de deflagrar o processo de ligação entre Lula e o triplex.

2. O depoimento de Léo Pinheiro integrava o apartamento aos contratos da Petrobrás. Sem isto, o processo sequer deveria ir para as mãos de Sérgio Moro e seria resumido a, no máximo, mera ocultação de patrimônio em fórum paulista, local do imóvel.

As pessoas imaginam que Lula foi condenado por corrupção por ser apontado como chefe do esquema na Petrobras. Não tem nada a ver. No texto, Sérgio Moro fala em corrupção pela alegação de que, em depoimento, Léo Pinheiro disse que deu o apartamento a Lula em troca de apoio para ganhar contratos na Petrobrás. Nunca fiz isto, mas o momento é oportuno para utilização de caixa alta: é a ÚNICA base para a condenação por ato de corrupção até o momento em que rascunho estas palavras.

Preso, Léo Pinheiro mudou seu depoimento três vezes em busca de diminuição de pena. Sua versão só foi aceita quando ele apontou o dedo para Lula. Vale a pena ler a Folha de São Paulo de hoje, domingo (30), em que mostra as conversas dos procuradores sobre as tratativas para alcançar a confissão desejada do empreiteiro.

3. O texto do processo traz uma visão sobre o presidencialismo de coalizão, que impediria o já referido juiz passar em uma disciplina de ciência política de primeiro período. A lógica é a mesma do PowerPoint do MPF. Para eles, o presidente exerce um papel onipresente e onisciente sobre toda a política brasileira. Então, em resumo, todo e qualquer ato ilícito dentro do Estado passaria, necessariamente, pela chancela de Lula. É a clara vocação antissistema da Lava Jato atuando aqui, mas também em outras situações.

Tenho minhas opiniões pessoais já tornadas públicas sobre o que acho que Lula sabia ou não, sobre erros e acertos do seu partido. Mas, como disse, são pontos de vista. Podem servir para, enquanto eleitor que sou, punir ou não Lula e o PT nas urnas.

Agora, sempre achei a condenação de Lula no caso do triplex injusta, não apenas porque ocorreu de forma acelerada, mas principalmente pelas pressuposições listadas acima. Com os vazamentos do The Intercept sobre o encaminhamento das tratativas entre o MPF e o juiz Sérgio Moro, já asseverados pela Folha de São Paulo e agora pela revista Veja, não acho mais. Tenho certeza.

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