Versões de réus sobre apartamento de Lula são controversas

Versões de réus sobre apartamento de Lula são controversas

Um dos inquéritos envolvedo o ex-presidente Lula se refere à compra de um terreno, que seria destinado ao Instituto Lula, e de um imóvel vizinho ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo (SP), e que era usado pelo petista há anos.

Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) afirmam que os dois bens são resultado de propina paga a Lula, pela Odebrecht, oriunda de contratos fraudulentos firmados com a Petrobras.

De acordo com o MPF, outros réus participaram do esquema para tentar maquiar o suborno: o advogado Roberto Teixeira, amigo do ex-presidente há décadas, e o engenheiro Glaucos da Costamarques, primo de José Carlos Bumlai, também amigo de Lula.

Segundo os investigadores, Costamarques tinha os direitos sobre o terreno e os vendeu por R$ 800 mil à DAG Construtora, que depois comprou o imóvel como laranja da Odebrecht. Com parte do dinheiro recebido, Costamarques teria comprado o apartamento.

Em depoimento a Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância e a quem caberá julgá-lo, o ex-presidente disse que não sabia que o apartamento pertencia a ele, e que somente tomou conhecimento sobre o assunto quando foi feito o contrato de aluguel do imóvel, assinado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu no começo do ano.

Ainda contou que, em determinado momento, Roberto Teixeira teria comentado com ela que o proprietário do imóvel estava querendo vendê-lo. “Ao dizer que não ia comprar, apareceu o Glaucos. Não sei quem foi que falou para o Glaucos ir lá”, disse Lula.

O petista também disse que Marisa era quem realizava os pagamentos mensais, “na forma estabelecida no contrato, mediante a emissão de recibos”. No interrogatório, no entanto, o juiz o questionou sobre estes comprovantes, alegando que a defesa de Lula não havia apresentado as provas.

Nesse momento, o ex-presidente disse não saber se os advogados já tinham apresentado os comprovantes e ainda foi orientado por seu advogado, Cristiano Zanin Martins, a não responder se não achasse “relevante” juntar os recibos ao processo, alegando que era uma questão de “defesa técnica”. As informações são do portal Uol.

Os recibos que foram assunto das perguntas de Moro e do MPF são referentes ao período entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015, quando Lula não teria pago os aluguéis a Costamarques. Os pagamentos só teriam começado, disse Costamarques, depois da prisão de seu primo Bumlai. “Para mim, estava pago”, disse Lula ao argumentar que Costamarques nunca reclamou de aluguéis não pagos.

Enquanto isso, Costamarques disse que não reclamou da inadimplência porque queria, na verdade, que seu primo Bumlai pagasse pela propriedade do apartamento. No entanto, em depoimentos anteriores à Polícia Federal e ao MPF, Costamarques afirmou que os aluguéis eram pagos diretamente a Roberto Teixeira, a quem devia o pagamento de honorários.

Já o advogado Roberto Teixeira se juntou a Lula e disse que os aluguéis deveriam ser pagos por Marisa. Além disso, acusou Costamarques de ter mentido em seu interrogatório.Já os ex-executivos da Odebrecht disseram desconhecer a transação envolvendo os dois bens. “Se alguém teve conhecimento disso foi o Demerval, ou Paulo Melo, por Roberto Teixeira, eu não sei se eles sabem, eu não sei como se deu isso”, disse Marcelo Odebrecht a Moro.

Por sua vez, Paulo Melo, ex-diretor da divisão imobiliária da Odebrecht, afirmou ao juiz que só teve conhecimento do apartamento quando leu a denúncia do MPF, apresentada no fim de 2016.

Demerval Gusmão, dono da DAG, declarou a Moro ter sido “surpreendido com essa compra desse apartamento” durante o processo.

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