Viva a política profissional

Um político profissional passa décadas para ser talhado na fina arte de Maquiavel e na capacidade de expressar os interesses de uma socieade. A prática não está relacionada apenas a posse de boas intenções, pois elas podem ser encontradas em praticamente todas as esferas sociais. Estamos falando da habilidade de liderar sustentada pelo guia da ética da responsabilidade para com a maioria, para com um projeto – individual e coletivo – que expressa e pela paixão de saber que está num local privilegiado para deixar seu nome marcado na história.

As ações estabanadas de um presidente completamente despreparado, egoísta e com visão – amadora – de curto prazo, convocando e indo para o meio de uma multidão desejosa por ditadura com suspeita de um contagiosa doença ainda sem cura, abriu margem para a descoordenação das políticas de enfrentamento do coronavírus em âmbito federal. E como na política não há vácuo, como diz a frase já batida mas não menos relevante, os governadores souberam ocupar o espaço deixado. Para o bem de seus administrados.

Enquanto um presidente que nunca se preparou para gerir um condomínio desdenhou as potentes e fundamentadas previsões da esmagadora maioria dos especialistas, os governadores se anteciparam, elaboraram planos de isolamento social e erguem condições para alojar os prováveis alcançados pela pandemia. Diante do desafio, um presidente diz, após desautorizar seus técnicos a ceu aberto, “que infelizmente vai morrer gente”. O político profissional procura, ao contrário, atentar para os desafios, transmite segurança e constrói um sentimento de união. Na crise o diferencial se escancara.

Não estamos entrando – essa não é a questão – na seara de ser de esquerda ou de direita. O dado é que o político profissional numa democracia representativa, guiado pela responsividade para com os seus eleitores e pela necessidade de sobrepujar as – legítimas – críticas dos oponentes, maximiza suas ações em prol do bem comum. No fim das contas a grande política, aquela com P maiúsculo, é desempenhada para fazer a comunidade evoluir e não há nada que se assemelhe a isso no obscurantismo bolsonarista. Viva a política profissional.

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