A culpa é sempre dos outros: Bolsonaro não é responsável nem pela pandemia no Brasil, nem pela crise econômica

O presidente Jair Bolsonaro, enquanto desarticulava os isolamentos durante a pandemia mandando as pessoas às ruas com a promessa de cura pela cloroquina, mantinha as fronteiras internacionais abertas para a livre circulação do vírus e negava o problema, através inclusive de notícias falsas. Sua atuação direta e irresponsável andou de mãos dadas com a pisadinha de que o Supremo Tribunal Federal o impediu de agir na pandemia, uma forma de jogar o revés para terceiros. As inúmeros repetições serviam para embalar a tentativa de transformar uma mentira em verdade. Depois, atrasou todo o processo de compra de imunizantes, através de um discurso negacionista diante da chegada das vacinas.

Agora, após 600 mil mortes, ele também diz que não é responsável pela crise econômica, encarecimento dos produtos e empobrecimento da população. A culpa, segundo ele, é do “fique em casa”, a mesma política que ele desarticulou. Nunca fizemos isolamento de verdade. Na América do Sul, o Brasil foi um dos países que menos fez isolamento. A testagem nunca aconteceu. Nossa posição no quesito no mundo é próxima de 100. Sem testes, as pessoas andam contaminadas e o vírus corre solto.

Nenhum país do mundo, que deixou a pandemia seguir curso tranquilo – e macabro -, como o presidente fez de tudo para realizar, obteve resultados econômicos positivos. Pelo contrário. Foi dito pelos especialistas que, enquanto a pandemia perdurasse, a economia patinaria. Nações que agiram rapidamente controlando o vírus, reestabeleceram suas atividades. Basta avaliar o Vietnã, a China, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Coréia do Sul etc. A Noruega, caro leitor, fez rigído isolamento e controlou o vírus. Ao passo que a Suécia, que tentou manter tudo aberto, atingiu um número muito maior de óbitos e a economia cresceu menos do que a do outro país escandinavo citado. A comparação também vale para Canadá e EUA, com resultados semelhantes aos encontrados na Europa.

Ora, caro leitor, não falamos aqui de mortos porque já está mais do que claro que o presidente não se incomoda muito com o número de pessoas que se foram pelas mãos do novo coronavírus. O fato é que, ao tentar manter tudo em pleno funcionamento, o presidente conseguiu errar em duas frentes. A sua estratégia de distribuir contágio como medida de resposta à pandemia nos trouxe mais de meio milhão de vítimas fatais, além das milhões portadoras de sequelas, como também jogou nossa economia no chão. Entre economia e vida, nos restou o cloroquinismo social.

Há um meme que circula na internet que retrata bem tal situação. Diz ele, “governo federal, a culpa é sempre dos outros”. É assim que Bolsonaro se comporta. Efetividade zero. O interessante é que, durante a campanha, ele dizia que ia fazer e acontecer. O céu era o limite. Triste e já esperado fim.

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