A Dra Ivermectina e o caça click da morte

O fim da semana anterior foi marcado por um aviso da FDA, a poderosa Anvisa dos EUA, sobre a ivermectina contra covid-19: “você não é cavalo. Você não é vaca. Sério, pare com isso”.

Natal foi a cidade em que essa farsa se instalou como tragédia durante a pandemia. Médicos emprestaram sua credibilidade a esse falso tratamento contra covid-19. Dentre eles, uma médica em particular se destacou. Não citarei seu nome, pois este pequeno espaço não é palco para isso e o texto não tem como objetivo questionar a sua já manjada conduta. Demonstrando supostos estudos, aos ouvidos de um leigo, parecia dominar o assunto. Porém, bastava checar suas fontes, para notar que os dados não eram aceitos pelas agências de saúde e comunidade científica.

A pandemia evoluiu e, com ela, ficou ainda mais clara a montanha de absurdos – obras inexistentes, dados falsos, adesão a teorias conspiratórias daquelas encontradas em grupos de whatsapp. A qualquer questionamento, ataques juvenis à “mídia lixo” enquanto suas redes sociais são constantemente retiradas do ar pelo alastramento de desinformação.

Já disse aqui e repito. Odeio ficar no papel de ingênuo, pois nada ganho com isso. Porém, sinceramente acreditei que a médica e outros perfis do gênero não teriam mais espaço na imprensa depois de tudo que ocorreu, de tudo que promoveram. Que nada.

Agora, a mesma dita cuja fala de uma conspiração para retirar 30 anos da expectativa de vida de crianças e adolescentes com o avanço da vacinação contra covid-19. Para ela, quem se imunizou com menos de 30 de idade corre sérios riscos. Trata-se de sua linha. Não é de espantar. O que desperta repúdio são falas como essas ainda serem debatidas (sic) com ar de seriedade em qualquer espaço público de discussão.

A verdade precisa ser dita. A pandemia trouxe o caça click da desinformação e da morte. A covid-19 revelou a falta de limite pela busca para ganhar dinheiro com o negacionismo.

E o mais bizarro é ouvir de tais canais que o Brasil ultrapassou os EUA na aplicação de vacinas com a primeira dose em tom de elogio, no mesmo momento em que as informações falsas que atrasam a vacinação nos Estados Unidos são publicizadas por aqui como lado legítimo – alguns chamam cinicamente de “polêmico” – do debate.

Viva a imprensa séria, a comunidade científica e a maior parcela da população que se guiaram pelas evidências. Não fosse por essa pressão gerada, os EUA seriam aqui e, ainda que tivessemos doses suficientes, como ocorre por lá, alucinados – e quem ganha com eles – teriam convencido os brasileiros a continuar com remédio para cavalo e a recusar os imunizantes que fizeram despencar o número de mortes pelo mundo.

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