A quem serve o discurso contra as “oligarquias”

Tudo bem, culpar as oligarquias e falar em gestão, como se fosse um especialista, pega bem nas redes dominadas por frases de efeito vazias em busca de se enturmar com o lado do bem, que é sempre o seu, nunca o do outro.
Mas é um caminho que visa camuflar dois aspectos: 

1. Para quem vive da e para a política, é uma forma de esconder que, salvo raríssimas exceções, ou é também “oligarquia” dentro do seu grupo político, sendo de uma minoria que controla os recursos financeiros e políticos de uma maioria, ou já ajudou a endossar as tais oligarquias que hoje ataca; 

2. É uma maneira de tratar o problema do RN, como se fosse incumbência de meia dúzia de pessoas, retirando a responsabilidade das corporações sindicais, dos poderes e patronais, hoje com 90% de todo o orçamento público do RN, da falta de debate qualificado na imprensa, dos (seus) partidos, da pífia produção de conteúdo sobre o RN pelas nossas universidades, da falta de interesse em construir e fiscalizar políticas de saúde, educação, etc.

Cria se um monstro externo, estranhamente vencedor de eleições com o voto sabe se lá de quem (ninguém aparece nessas horas), responsável por todos os males, enquanto toda a sociedade é infantilizada e pintada como se estivesse a mercê de um pai ruim.

Em resumo, o discurso contra as oligarquias serve a quem deseja ser a nova oligarquia geral da vez e a quem não quer olhar para o próprio umbigo e do grupo que faz parte.

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