A recomendação do MP para que o prefeito de Mossoró não suba no palco do Mossoró Cidade Junina é paternalista e tem viés de censura

A recomendação do Ministério Público para que o prefeito de Mossoró Alysson Bezerra não suba no palco do Mossoró Cidade Junina e muito menos faça discurso é paternalista e tem viés de censura. Shows acontecerão na capital cultural do RN nos dias 23, 24 e 25 de Junho. O MP alegou defender o princípio da impessoalidade.

Com todo respeito aos proponentes, mas esse paternalismo não existe numa sociedade aberta e democrática. O festejo é público e trata-se de uma realização da prefeitura de Mossoró. Cabe lembrar – Alysson é o gestor da cidade e foi legitimamente eleito. Caso ele queira falar, prestar contas, se vangloriar ou qualquer ato em tal perspectiva, o cidadão é livre pra julgar, quer seja aplaudindo, vaiando ou ignorando. Funciona assim.

Por um lado, há uma tentativa de censura, como se ações públicas prescindissem da palavra dos representantes. Ora, esses acontecimentos são também políticos e o prefeito deve, para o bem ou para o mal, ser julgado por eles, como uma inauguração de uma obra por exemplo. Por outro, há uma visão infantil do eleitor imaginado como um bobo alegre que será engabelado em troca de uma festa e que deve, portanto, ser protegido pelos sábios procuradores(as) capazes de enxergar o que não mais ninguém percebe.

Há, na verdade, uma antipolítica disfarçada de defesa do espaço público. Deixe o prefeito falar, se ele quiser. As pessoas não são burras ou ingênuas. Elas têm discernimento para realizar a reflexão a respeito da situação e a partir de suas vontades, interesses e pontos de vista. Aliás, este é o princípio moral básico da democracia – todo mundo é capaz de, pela sua competência moral, estabelecer um julgamento sobre se as atividades empreendidas pelos representantes atendem as suas necessidades.

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