Vantagens e desvantagens da possível candidatura de Ezequiel

Muito se fala da aglutinação de forças que o presidente da ALRN Ezequiel Ferreira poderia alocar em seu palanque, caso confirme sua candidatura ao governo do RN. Porém, pouco é falado da vantagem que Fátima teria nessa disputa.

A primeira seria na fácil associação de Ezequiel ao presidente Jair Bolsonaro que amarga alta reprovação no RN, enquanto Fátima tem como principal eleitor o ex-presidente Lula. Como também, pela proximidade com Rogério Marinho, que é o principal representante de Bolsonaro no estado.

Sobre ter mais prefeitos a história ensina que é mais importante olhar mais para o contexto de permanência ou mudança política do que para o número de prefeitos apoiadores. Ter apoio é relevante, óbvio. Mas cada cidade tem no mínimo dois lados e cada candidato ao governo acaba pegando um lado. Além disso, parte dos dois lados, além dos não alinhados, não vão seguir líderes locais. É a percepção da sua situação social e econômica diante do desempenho do governo que verdadeiramente importa. São fartos os casos de postulantes que perderam com mais prefeitos e deputados na disputa majoritária no RN. O cálculo tem por base uma ilusão sempre renovada nos períodos eleitorais em prol de pressões políticas.

A segunda seria no rótulo que a própria governadora tenta fugir: “o de formação de acordão”. Veja que será difícil reverter no imaginário popular que Fátima não esteja numa disputa contra os poderosos que formaram um acordão para voltar ao poder.

Esses podem ser os principais motivos que fazem com que Fátima não pisque ou se preocupe com o adversário que uma hora vai falar por ele. Ela quer seu apoio, mas não cede totalmente para as suas pretensões de composição de chapa. Se a vitória de Ezequiel fosse tão certa como a imprensa natalense vem dizendo, Fátima, que não é nenhuma bobinha, já teria entregado tudo que Ezequiel e o Mdb pedem para tira-los do pleito. E o presidente da assembleia, que não é ingênuo, já estaria com o bloco na rua.

Por fim, vale lembrar que o processo eleitoral é o momento em que tudo sobre a história dos concorrentes vem à tona. Ao contrário do contexto pré-eleitoral, não há como controlar a informação. A trajetória de Fátima Bezerra já é conhecida, com seus erros e acertos. A de Ezequiel, sua relação com os governos anteriores, suas atividades legislativas e a frente da assembleia não são. O que se sabe é só aquilo que é narrado pelo próprio através do estrondoso poder de mídia que o poder legislativo tem no estado.

No realismo político não vale tomar desejo por realidade, a não ser para se enganar e / ou a terceiros. E se a força de Ezequiel fosse tão avassaladora assim sequer existiria toda esta pressão de setores da imprensa e da classe política ligadas ao bolsonarismo empurrando-o para ele ser candidato. Ele iria de espontânea vontade.

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