Alinhada com o negacionismo bolsonarista, a Associação médica do RN emite nota em defesa de Nise Yamagushi

Mais uma associação usa a Nise Yamagushi, a médica que fez falas antivacina na CPI da covid no senado, citou estudos inexistentes e dados falsos, para lançar nota em defesa própria e criar um cinturão corporativo em torno dos próprios erros. Antes foi o presidente do conselho federal de medicina.

Vale lembrar que a Associação médica do RN espalhou no estado supostas conclusões sobre estudos que dariam a ivermerctina um poder de 75% de redução de morte contra a covid. Leia aqui.

Mas por qual razão então a organização mundial de saúde emitiu comunicado não recomendando o vermífugo contra o novo coronavírus? O mesmo fez a agência nacional de saúde, a Fda dos EUA e a agência de saúde europeia, para ficar apenas em tais citações. Por que as sociedades científicas médicas nacionais já se manifestaram contra o tratamento precoce, que inclui o mata piolho? Há uma conspiração mundial em prol da morte das pessoas?

Não. É bem mais simples. Esse estudo usado pela AMRN simplesmente não permite tais conclusões, conforme os próprios autores (leia aqui). E a fonte citada – c19study – é de um site não científico, um mero repositório de observações em que não há critérios acadêmicos para a introdução de novas postagens. Ou seja, em termos de ciência não vale para nada.

Alinhada com o bolsonarismo desde o começo, a nota da AMRN é só mais um tijolo no muro negacionista que a associação ergueu e se equilibrou durante a pandemia e uma forma de usar o caso para auto-proteção corporativa, já que obviamente não fará, para a CPI, nenhuma diferença a existência do comunicado.

Ao desconsiderar tudo o que médica Nise Yamaguchi fez e defendeu, inclusive na própria CPI, a AMRN emite recado claro à sociedade. O de que não admitirá qualquer investigação ou questionamento contra seus associados.

Mas este blogueiro quer queimar a língua e torce para que a AMRN emita notas contra o desincentivo público da vacinação por médicos bolsonaristas e pelo próprio líder maior, contra a estratégia ética e cientificamente inaceitável da imunidade de rebanho por contágio e a favor da ciência e das medidas não farmacológicas reconhecidas pela OMS e restante do mundo.

Leia a nota.

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