Alvaro Dias, lembre-se: o senhor disputará a reeleição em 2020

Pressionado por associações de lojistas durante a semana que se encerra, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, prometeu estudar uma possível reabertura do comércio. Disse que buscaria um consenso com técnicos e com o ministério público.

Ora, a ciência nem sempre acerta, pois suas projeções estão alicerçadas em dados que nunca são capazes de esgotar completamente as variáveis concernentes de uma realidade. Mas é o melhor que conseguimos produzir em termos de racionalização de uma ação planejada. E a ciência nos diz que ainda não passamos pelo pico da pandemia em Natal. A comparação com o que ocorre lá fora também não nos permite subestimar a ferocidade do coronavírus. Não é uma opinião, mas algo que tem bons fundamentos, conforme estudos advindos do ministério da saúde e das universidades, inclusive da UFRN.

Pois bem, prefeito. O senhor participará de uma reeleição ano que vem e, ainda que a abertura precoce do comércio lhe renda aliados poderosos, será bastante provável que, se assim proceder, o poder público contribuirá para a super lotação dos hospitais e o empilhamento de corpos na cidade, que passarão a circular na imprensa, nas redes sociais e no horário gratuito político eleitoral em 2020. O grosso do eleitorado não acha CNPJ mais importante do que CPFs. Pense na sua reeleição e, nem de longe, imagine cometer uma ação despropositada como essa.

Além do incentivo virtuoso do ponto de vista eleitoral, que impede que gestores exponham seus administrados à pandemia, vale enfatizar: nossa crise não é de oferta (lojas fechadas), mas também de demanda. Ninguém sairá para comprar roupa ou sapato em um cenário de incerteza econômica e com um vírus mortal nas ruas. Por fim, um isolamento vertical, conceito que sequer é discutido por especialistas, pode, isto sim, fazer com que o custo econômico seja ainda mais elevado, dada a probabilidade de posterior retorno à quarentena com uma piora da situação.

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