Ameaça à democracia

AMEAÇA À DEMOCRACIA


Andei lendo alguns textos de madrugada sobre o funcionamento das bolhas das redes sociais. É de assustar e ajuda a compreender o porquê dos seus analistas cultivarem uma visão tão negativa sobre o assunto. O cenário das redes está voltado para afastar pessoas e empacotar informações não conflitantes, fazendo sua experiência virtual mais personalizada, homogênea e exposta aos anúncios vendidos pelos seus donos.


Os filtros baseados em algoritmos potencializam uma ação que já empreendemos na nossa experiência nas redes: a busca pela personalização. Para nos deixar “tranquilos” no facebook ou twitter, ou seja, não sermos confrontados em nossos pontos de vista e valores, só nos são apresentados conteúdos que simpatizamos. O facebook e o twitter utilizam aquilo que curtimos, com quem trocamos comentários e nos oferecem um mundo sem contraditório. Quando o contraditório aparece, já vem embalado pela reprovação tipica do grupo que me filio. Há pouca chance para reflexão e muita para o entubamento em que você fica a mercê dos lucros que seus dados irão gerar para as redes. O facebook, twitter ou google vendem seu perfil para quem queira anunciar e atingir exatamente o cliente em potencial.


Forma-se, com isso, grupos segregados geradores daquilo que os estudiosos vêm chamando de câmaras-eco. Isto é: uma informação passa a circular e os membros do grupo, que acham que estão debatendo algo, passam a ecoá-la num processo de afirmação mútua. É ingênuo supor que as redes sociais se constituam como espaço de troca de informações ou que sejam, numa visão positiva, uma nova esfera pública. É uma situação em que, próximo do ponto de vista virtual, você produz e é produzido para afirmar um muro contra pessoas e grupos.


Vale lembrar que, conforme surveys aplicados no Brasil, mais de 70% se informam pelas redes. Ora, o acesso a informação homogeneizada cresce na razão direta em que você só obtem conteúdo, através das redes (vale também para sites de busca como o google). Trabalhos empíricos mostram que essa homogeneização diminui quando o leitor procura informação em jornais diretamente e não a partir das redes.


O tema é instigante e vale continuar lendo a respeito. Espero trazer outros números depois.

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