Analistas que vendem 2020 como o fim do PT e Bolsonaro no controle dos seus polos fundamentam sua tese em desejos

Para além das falsas composições nacionais imaginadas para 2020 por analistas apressados, dados concretos começam a aparecer: partidos que cresceram nos pleitos municipais estão colados no orçamento federal.

A falsa ideia de que em 2020 o eleitor deu o “recado da moderação” em Natal, São Paulo ou Santa Cruz, ao invés de ter sido movido pela lógica local vem com essas conclusões de brinde, a depender do desejo. Vender o PT e/ou Bolsonaro como foras do jogo e cunhar a agenda pró-mercado.

A (falta de lógica) funciona assim: é como se o eleitor residente na periferia de Natal não estivesse pensando em posto de saúde, polícia no bairro e outras questões, mas nas condições de disputa política no país. Além disso, Álvaro Dias, prefeito eleito de Natal, por não ter toda a linguagem bolsonarista como prática de campanha, não tivesse recebido apoio das bases bolsonaristas locais dentro do contexto municipal.

Quais as ideias de fundo? Primeiro, o PT não é mais player de 2022, já que fez menos prefeitos em 2020. Nesse sentido, deveria sequer concorrer e abrir sua candidatura para outro partido do espectro político.

Na outra ponta, a narrativa patrocina a visão de que o presidente Jair Bolsonaro foi derrotado e que precisa se moderar, caso pense em 2022. Ora, o que é moderação em termos da imprensa nacional? Esse mesmo presidente não era de extrema direita até ser eleito em 2018, conforme editoriais dos principais jornais do país. Se moderar significa aceitar a agenda de reformas tão pregada pelo mercado. Preocupado com sua reeleição, Bolsonaro apresenta sinais de que jogará essa agenda ao mar, até porque, na prática, nunca a defendeu diretamente junto ao congresso.

A narrativa que procura falar em um fim da polarização entre PT liderando à esquerda e Bolsonaro à direita, versa sobre a força de Dória em São Paulo. Não se engane, caro leitor, é uma versão pró-mercado e pró-reformas. O governador citado é lembrado pela promessa de que as faria.

A contradição. O dito centrão, que foi fortalecido em 2020 com orçamento da união e colado portanto em Bolsonaro, seria um outro sinal da moderação. Fica a impressão de que esses mesmos partidos não irão depender do presidente em 2022 para aumentarem suas bancadas e, por fim, que o próprio Bolsonaro não pode ir com eles para a reeleição em 2022.

Sobra desejo, falta realismo.

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