Antimarketing como marketing bolsonarista

No livro “a morte da verdade” fica claro como Bolsonaro copia Trump em diversas estratégias. A comunicação de Trump percebeu que super produções televisivas, com a crise da política, são identificadas como o “sistema” hoje portador de forte rejeição. Então, tudo é meticulosamente criado para parecer precário, pobre e improvisado, gerando a impressão de que estamos diante de uma luta de Davi (o outsider) contra Golias (o sistema). Os cidadãos cansados se aproximam de forma engajada porque se sentem pertencentes a um imaginado maior movimento ultracomunitarista numa batalha do bem contra o mal.

Uma tem chamado nossa atenção – a de passar uma falsa simplicidade cotidiana e de criar uma aparente autenticidade contra um suposto sistema apodrecido.

Bolsonaro certamente tem diversas mesas em casa, mas numa coletiva de imprensa colocou os microfones da imprensa em cima de uma improvisada prancha de surf. Fez, ainda candidato, uma live com um varal de roupa ao fundo. Recentemente, se deixou fotografar e veiculou em suas redes situações em que lava roupa, vai ao banco e faz churrasco.

Não quero entrar no cotidiano do dito cujo, apesar de achar improvável que ele, após uma sessão como o deputado que sempre foi, pare numa fila do caixa eletrônico para sacar dinheiro, tendo diversos assessores designados para tanto. Mas a ação é de um rasgado antimarketing como estratégia de marketing.

Tem quem caia. E não são poucas pessoas.

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