Ao criar falsa comparação sobre mortes pela covid em todos os países, Bolsonaro tenta colocar a resposta brasileira à pandemia em pé de igualdade em relação ao restante do mundo

É fato corriqueiro que o discurso em público do presidente Jair Bolsonaro se alinha com as correntes de whatsapp. Ontem, quando perguntado sobre as mais de 600 mil mortes, bradou – “e que país não morreu gente?” Tal tratamento da pandemia no Brasil sai da boca de 10 entre 10 bolsonaristas. É uma forma de tentar igualar a nossa resposta a de outros países, colocar o alastramento da doença como da ordem do inevitável e apelar para o pensamento mágico do “ah, foi assim como Deus quis”. Nessa lógica, o governo federal nada tem culpa.

O dado concreto é que no Brasil morreu muito mais e não há nada que não tenhamos nos destacado negativamente. O presidente Jair Bolsonaro boicotou os isolamentos sociais, nos mantendo mais tempo com o problema – estamos sentindo as consequências econômicas – e ampliando o número de óbitos. Ele ficou meses negando o problema e, quando ele se impôs, tentou esconder as estatísticas. Estratégias de testagem foram ignorada, as fronteiras internacionais ficaram escancaradas. Quando as vacinas chegaram, mais boicote. Tudo foi feito para que a população logo se contaminasse e a situação viesse a ser superada, com as consequências conhecidas.

Nossa maior contribuição à pandemia foi o uso em larga escala de tratamentos ineficazes, gerando falsa sensação de segurança para os brasileiros. Quem foi pra rua acreditando na mentira morreu mais do que quem não foi.

Portanto, sim. Morreu gente pelas mãos da covid em praticamente todos os países. Porém, nada se compara com o que aconteceu no Brasil.

Do Notícias ao Minuto – O Presidente Jair Bolsonaro, que está passando férias no litoral de São Paulo, se irritou nesta segunda-feira quando uma mulher o questionou sobre as mais de 600 mil mortes que a covid-19 já causou no país.Presidente ficou bravo!© Lusa Presidente ficou bravo!

“Em que país não morreu gente?”, perguntou Bolsonaro três vezes, que, diante da falta de resposta da mulher, acrescentou visivelmente chateado: “Olha, eu não vim aqui para me aborrecer”.

O Brasil ultrapassou a barreira de 600 mil mortes devido à covid-19 na última sexta-feira e até agora o chefe de Estado ainda não havia se pronunciado sobre essa marca trágica, que até então apenas havia sido ultrapassada pelos Estados Unidos.

Antes de ser questionado pela mulher, em conversa com alguns apoiadores na praia do Guarujá, em São Paulo, Bolsonaro garantiu que o país “está saindo dessa crise de saúde”, considerando que a pandemia “praticamente acabou”, tendo em conta a redução acentuada do número de mortes e infecções que foi registrada nas últimas semanas.

Essa queda vertical nas estatísticas tem sido atribuída, sobretudo, ao avanço da vacinação, que hoje chega a 47% dos 213 milhões de brasileiros com o esquema vacinal completo, enquanto pouco mais de 70% tem apenas a primeira dose.

“Me chamam de negacionista e demos 20 mil milhões de reais para comprar vacinas”, acrescentou Bolsonaro, que desde o início da pandemia sempre minimizou a gravidade da mesma e passou a questionar a eficácia dos imunizantes.

Bolsonaro voltou a criticar a “política do fique em casa, a economia vem depois”, em alusão aos confinamentos e a outras medidas que restringiram a mobilidade nos piores momentos da crise da saúde e que foram adotadas por governadores e prefeitos.

“Agora temos a inflação e todos pagamos a conta”, disse o Presidente, que avaliou que a perda de poder aquisitivo dos brasileiros e o aumento de preços registrados este ano, já próximos a 9%, são consequência dessas medidas restritivas.

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