Ao endossar a gracinha de Bolsonaro contra o carnaval, bolsonarismo local escancarou contradição às vésperas da realização do Carnatal

O bolsonarismo local (e nacional) cuspiu para cima. Ao apoiar o cancelamento do carnaval mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro, sem avaliar devidamente as condições epidemiológicas, criou um curto circuito – mais uma vez – em sua própria narrativa. Isto porque, com o aparecimento de uma nova variante do coronavírus no continente africano, que é ainda uma incógnita, se vê agora obrigado a levar em consideração as ações preconizadas pela ciência diante da pandemia de covid-19.

O próprio presidente foi pego no contragolpe. Sua crítica ao carnaval, na verdade, foi uma forma de afagar setores evangélicos neopentecostais, que são contrários aos festejos e usam a pandemia seletivamente para cercear apenas a “festa profana da carne”. Só que ele foi cobrado a fechar as fronteiras internacionais contra os países que vivem o surto da nova variante e a requerer passaporte vacinal dos que chegam no nosso país, nada diferente do que acontece quando saímos daqui para os EUA ou Europa. Vacinados tendem a não desenvolver a forma grave da doença e também transmitem menos o vírus.

A contradição ficou escancarada. Após Bolsonaro condenar qualquer fechamento de fronteira e dizer que era invenção da globo em seu tradicional cercadinho, o chefe da casa civil Ciro Nogueira anunciou a ação.

IMPACTO LOCAL DO DISCURSO CONTRADITÓRIO – O CARNATAL

No contexto local, a aceitação da gracinha pelos formadores de opinião bolsonaristas, que controlam hoje majoritariamente a esfera pública potiguar, terá contornos. O carnaval fora de época da cidade do Natal, o Carnatal, ocorrerá entre os dias 9 a 12 de dezembro. Trata-se de um evento que traz gente de todo canto e inegavelmente produz gigantesca aglomeração, não muito diferente do carnaval tradicional.

E agora? Como apoiar a festa fora de época na próxima semana, com o discurso de que há condições para o retorno à normalidade, se os mesmos formadores de opinião que cuidaram de espalhar esse discurso endossaram o que o presidente Jair Bolsonaro verbalizou na última semana? O rei está nu.

DEVE ACONTECER O CARNATAL?

Ora, não é uma questão dogmática, mas de fundamentos epidemiológicos. Este blogueiro não brinca carnatal nem carnaval. Só que não é o que se encontra em questão. As duas festas movimentam positivamente a economia – principalmente numa cidade turística como a nossa – e, caso existam condições para tanto, elas devem acontecer.

É óbvio que é pedir demais. Porém vale a retórica: que quem forma opinião nas terras de poti passe a endossar suas ideias nos pareceres de quem vem estudando e acompanhando o tema. Será uma forma de não pagar o king kong exposto nos últimos dias.

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