Bolsa desaba e dólar bate em R$ 5,75 após baixas na equipe de Guedes e manobras para driblar o teto

Do Estadão – O dólar tem forte alta nesta sexta-feira, 22, e a Bolsa brasileira desaba, após a saída de Bruno Funchal (secretário especial do Tesouro e Orçamento) e de Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro) da equipe econômica por discordarem do drible no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil de R$ 400, avalizado pelo ministro Paulo Guedes.

Às 12h27, a moeda americana tinha alta de 1,50%, cotada a R$ 5,7525. Em mais um dia de perdas, a Bolsa de valores recuava 4,49%, para os 102.896,46 pontos. O CDS de 5 anos do Brasil, termômetro do risco país, subiu para o maior nível em um ano.

Os juros futuros também avançam, refletindo a percepção de que o Banco Central terá que ser mais agressivo com a política monetária – na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a nova taxa Selic, hoje em 6,25% ao ano.Bruno Funchal deixa Ministério da Economia após pedir exoneração do cargo de secretário do Tesouro.   © Dida Sampaio/Estadão – 21/10/2021 Bruno Funchal deixa Ministério da Economia após pedir exoneração do cargo de secretário do Tesouro.

Antes mesmo do anúncio dessa nova ruptura na equipe de Guedes, a curva de juro já apontava na quinta-feira, 21, para a possibilidade de alta de 1,50 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,75% ao ano na semana que vem e de 1,25 ponto em dezembro. De 51 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 15 (29%) preveem um aumento de 1,25 ponto ou mais da Selic em outubro. A aposta em alta de 1 ponto dos juros em outubro, a 7,25%, ainda continuava majoritária, com 36 instituições.

Para Luís Felipe Laudisio dos Santos, da Renascença DTVM, o que o mercado mais temia, aconteceu e com uma velocidade muito mais intensa. “Paulo Guedes na corda bamba, mesmo com o presidente Bolsonaro reiterando apoio ao ministro, é mais um foco de tensão. O cenário externo mais positivo, não deve evitar mais um forte movimento no real”, avalia Santos em relatório nesta manhã.

Debandada no ministério

desmanche de parte da equipe de Guedes aconteceu depois de manobra para revisão do teto de gastos, principal âncora da política fiscal brasileira. Funchal já estava decidido a deixar o governo após reunião na segunda-feira com o presidente Jair Bolsonaro, quando ficou clara a ruptura da política fiscal com a finalidade eleitoral.

A saída se concretizou depois do anúncio, feito por Bolsonaro, de um auxílio para os caminhoneiros e do atropelo das lideranças do Centrão no acordo final para mudar a emenda do teto de gastos. A mudança abriu espaço para R$ 83,6 bilhões em despesas que incluem o Auxílio Brasil de R$ 400, emendas parlamentares e outras medidas do programa eleitoral do presidente e do Centrão.

Na noite anterior, durante uma live, o ministro Paulo Guedes já havia falado em uma “licença para gastar” ou na própria revisão do teto.

O secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, e mais dois secretários-adjuntos, Gildenora Dantas e Rafael Araújo, acompanharam Funchal nesse terceiro movimento de debandada desde que Guedes montou o que foi chamado, no início do governo, de “dream team” do seu superministério da Economia. “Foi uma questão de princípio”, disse Funchal à equipe.

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