Após reformulação do programa para aderir as guerras culturais das redes sociais, o BBB monetiza o ódio

A lógica da audiência no BBB não é lá tão diferente da tática em que as direitas mobilizam suas militânciasnas redes sociais: simplificação do mundo entre o bem x o mal, guerra cultural e a construção de inimigos a serem extirpados. O BBB ensina a amar o ódio através de falso senso de justiça plebiscitário.

Perfis antagônicos, que obviamente gerariam enfrentamentos quando aglomerados, foram escolhidos a dedo. E há um espólio em jogo que leva as piores reações. Eles são levados ao limite e jogados uns contra os outros para atiçar o que cada um de nós carrega de pior.

Os promotores do reality foram inteligentes. Atualizaram o jogo pela via do engajamento das guerras morais, pela via da lógica amigo x inimigo tribal, e não mais por perfis que se namoram e se expõem nessa perspectiva na piscina em no edredom. Pois bem: audiência lá no céu.

Por fim, após a “eliminação”, as pessoas destilam seus ódios do bem contra pessoas, como se o BBB fosse um teste moral, a “vida” e o destituído da casa tivesse sido reprovado, portanto morto simbolicamente. É a monetização da limpeza social.

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