As eleições de 2018 e os movimentos identitários

Fiz o comentário abaixo no calor das eleições e quando me deparei com o denominado movimento “ele não” durante a campanha de Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad em 2018. O Facebook acabou de me mostrar. Penso que segue atual.

AS ELEICOES DE 2018 E OS MOVIMENTOS IDENTITÁRIOS

Os movimentos identitários criam problemas eleitorais. Não por exigirem direitos. Óbvio que é importante. O revés está no modus operandi.

Ao se colocarem como grupos de vanguarda moral na sociedade, movimentos lgbts, mulheres, negros, etc, acabam por criar lugares privilegiados de fala e ausência de produção de uma fusão de horizontes. Os guetos se formam em detrimento de um debate universalizado.

Os protestos denominados como #EleNão, ao tomarem a caricatura de identitarismos essencialistas, criaram uma reação trágica do ponto de vista eleitoral.

O cidadão médio rejeita a condição que lhe é imposta de “inferior moral” pelos movimentos identitários na forma de gueto que falei acima. E, do ponto de vista eleitoral, age de maneira ressentida reafirmando preconceitos e fechando os ouvidos para qualquer mensagem que venha do outro.

Não apenas isto. Ele também é “vítima” fácil do enquadramento de campanha negativa que vem do oponente dos movimentos identitários. Bolsonaro conseguiu caracterizar, por exemplo, o #EleNão como uma ação sintoma de um outro candidato que queria acabar com a família.

O identitarismo precisa agir com linguagem universalista. Do contrário, será grande cabo eleitoral dos seus adversários.

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