As estatísticas sumiram do noticiário potiguar e a razão é político-eleitoral

Para compreender a situação que se expressa na imprensa local é preciso entender o contexto novo por aqui a partir de dois pontos. Primeiro, majoritariamente os donos de veículos e diretores de redação têm o viés de direita, inclusive alguns participando da radicalização de extrema direita que tomou do Brasil. E, segundo, o governo federal tem forte inserção no RN com dois ministros de estado. Isto cria uma ambiência ímpar que um governo estadual nunca enfrentou. Os governos anteriores tinham alinhamento ideológico com quem dita a imprensa local e não enfrentaram o poderio do governo federal em terras potiguares.

É a partir de tais pressupostos que se torna possível compreender o fogo cruzado no qual o governo estadual é cotidianamente submetido em sua maioria na mídia local. Não é culpa da secretaria de comunicação, mas surge da própria correlação da forças. Por essa perspectiva é importante perceber a maneira como o passado é sempre apagado nas notícias por aqui. Qual é a razão? É que a comparação histórica atrapalha a oposição e ajuda o governo estadual.

Qualquer aluno de ciências humanas aprende que o uso das estatísticas é uma forma de obter uma análise de conjunto e explicar a evolução de um dado contexto ou de um objeto. As estatísticas e a compreensão histórica sumiram dos jornais locais.

Vamos pegar a questão da violência no RN, caro leitor. A cobertura martela casos isolados de violência e não mostra o problema em perspectiva. E há razão para tanto. Primeiro, não é possível imaginar que a questão da insegurança, que vem crescendo nas últimas gestões, irá acabar. E, segundo, se as estatísticas fossem apresentadas, de maneira que o leitor possa formar uma análise mais totalizante da situação, elas demonstrariam que o enfrentamento do revés melhorou – há queda de homicídios e de outros crimes e a tropa da polícia militar foi incrementada, por exemplo.

Preste atenção, caro leitor, a partir de agora caso ainda não tenha percebido como a comparação histórica desapareceu dos jornais, das rádios e dos blogs locais e acontecimentos específicos – sem a ligação com o todo – são martelados de maneira a embalar um pânico moral propagador de uma percepção de piora das condições de vida no Rio Grande do Norte.

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