As reações do bolsonarismo sobre o recuo do presidente vão de traição até a ideia de que Bolsonaro é um gênio da estratégia

Nos grupos do telegram do bolsonarismo as reações sobre o recuo do presidente Jair Bolsonaro em relação aos seus ataques no último 7 de setembro vão de:

  1. traição por ter feito as pessoas saírem de casa e depois ter voltado atrás. Esses eleitores querem confronto e compraram a versão de que o problema do Brasil é a existência de um Supremo livre. Tais cidadãos Bolsonaro tem forte perspectiva a perder o controle sobre eles;
  2. Passando por conspirações sobre a possível prisão de Bolsonaro. Nessa linha, Bolsonaro recuou porque está sendo chantageado e temendo a prisão de seus filhos;
  3. Chegando até a ideia de que o presidente é um gênio da estratégia e que os militantes são incapazes de compreender os passos do presidente. E só resta confiar no mito. Aqui, a esquerda é mobilizada como inimigo imaginário. Diz o refrão, se a esquerda ficou com raiva pela marcha à ré, logo Bolsonaro acertou. Ora, trata-se de uma inverdade. Ninguém ficou com raiva do recuo do presidente. O que se aponta é a patacoada da operação.

Há um messianismo de fundo que faz do presidente alguém que “escreve certo por linhas tortas” e um simples cristão é “incapaz de alcançar”. Surge daí uma confiança cega.

Na prática, porém, o que ocorre de concreto é que o presidente leva a sua base dura para a defesa de um desgaste paulatino das instituições. Ele sabe que uma vitória eleitoral em 2022 é bastante difícil. A crise econômica é muito grande e presidentes não se reelegem com fome, inflação e desemprego. Simplesmente não ocorre. Será assim até 2022 – esticando, cortando a corda e depois, na medida do possível, tentando reatar laços.

Parte de sua base vai com ele até o fim, dado que é uma comunidade autorreferida. A única informação que vale é que sai deles e circula entre eles. Uma organização semelhante às seitas religiosas extremistas.

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