Associados no crime, núcleo bolsonarista irá com o presidente até a defesa do golpe em 2022

Engana-se quem imagina o bolsonarista como alguém despido de racionalidade. O núcleo duro dessa ideologia extremista não é alheio ao que ocorre no Brasil, em especial durante a pandemia. Está claro como o sol que, ao contrário do que o presidente Jair Bolsonaro diz constantemente por aí, talvez para se convencer, ele não acertou uma. Entre a saúde e a economia, ficou com a cloroquina, um remédio caracterizadamente ineficaz contra covid. Nossa resposta é referência sobre o que não fazer e os dados de doentes e mortos falam por si.

O bolsonarista que congrega as fileiras dos cerca de 20%, considerada a base firme do capitão, sabe o que ocorreu, quem errou e quem acertou. Ele ficou durante meses queimando as vacinas e, após o presidente alterar subitamente sua opinião após ser derrotado pela sociedade que quer se imunizar, o militante mudou junto de cara limpa, tentando reescrever o passado com mentiras. Não é possível fazer um giro de tal importância de forma totalmente irrefletida. A questão, na verdade, não está na reflexão, mas a adesão a uma visão extremista de seita e a uma cumplicidade comunitária.

Não é mais ideologia, mas cinismo. O núcleo bolsonarista está vinculado ao presidente no crime de assassinato coletivo que ocorreu durante a pandemia de covid-19. Assim como o seu líder, ele negou a doença. Como o seu mito, tentou esconder as mortes e espalhou notícias falsas sobre dados não condizentes com a gravidade da situação. Como o ídolo maior, defendeu remédios ineficazes em prol de uma normalização forçada da vida, que não apenas reergueu a economia, como também significou milhares de óbitos evitáveis. Ambos mandaram o povo ir às ruas para se contaminar pela gripezinha.

O bolsonarista sabe o que fez no verão passado e só há duas maneiras de enfrentar tudo que ajudou a endossar – estabelecendo um recuo de arrependimento, decepção e vergonha, que teria um profundo custo em termos de construção biográfica. Afinal, não é todo dia que alguém admite ter sido pilar para um projeto criminoso. Ou continuar na narrativa paralela presidencial e apostar no esquecimento social. Como as ilusões funcionam como um bom cobertor, é difícil supor que um grupo significativo pegue a via do deserto do real.

O bolsonarista é cúmplice do presidente e vai com ele até o fim. Fatiará os acontecimentos de maneira que o mundo se transforme numa luta do bem contra o mal, do simples contra o complexo. O esvaziamento dos fatos, com a reposição de símbolos, e a desumanização do outro atravessarão todas as crises. Pode ter certeza, caro leitor: o adorador dessa figura parida pela política mais atrasada do Brasil, um herdeiro do tempo mal resolvido da ditadura, estará de mãos dadas com o ataque à democracia caso seja derrotado nas urnas de 2022. Não há “se”. Basta perder.

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