Até o aumento nacional dos combustíveis o Bolsonarismo quer por na conta dos outros

A lógica que foi explicitada na resolução da vacinação via doses da coronavac, em que o presidente Jair Bolsonaro se apropria de um trabalho que não foi de sua iniciativa, é a mesma para o caso da elevação dos combustíveis (veja a postagem anterior: “se apropriando do trabalho alheio”).

No caso dos combustíveis, como o aumento é ruim, a culpa não é da Petrobrás comandada pelo governo federal. O sentido narrativo é inverso. A culpa é dos governadores que cobram alíquotas semelhantes. Mas se as alíquotas são as mesmas e o valor aumentou em todo o Brasil na bomba em decorrência da elevação do preço do insumo na distribuição, como os governadores são culpados? A lógica não é o forte da narrativa bolsonarista.

É o jeito novo de tocar a presidência. Ao menos no âmbito das versões. Bolsonaro não é responsável por nada do que acontece, nem muito sobre qualquer coisa a ser resolvida: pandemia? Governadores que se virem pra planejar. Vacinação? O presidente se encarrega de espalhar notícias falsas, enquanto que João Doria briga por vacinas. Ou o plano deve ser também tocado por empresas privadas, quando nenhum país do mundo está adotando tal perspectiva.

Ocorre que o problema, uma vez solucionado por terceiros, aí o contexto muda. Todas as glórias devem ser do presidente.

De fora, nem parece que o governo federal comanda cerca de 70% do orçamento nacional e tem incumbência direta nas mais variadas áreas da administração dos temas públicos. Um desavisado pode até pensar que o presidente do Brasil manda menos do que organizador de pelada de fim de semana.

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