Bolsonaristas hostilizam jornalistas e tentam invadir Ministério da Saúde

Do Estadão – Manifestantes bolsonaristas tentaram invadir a sede do Ministério da Saúde em Brasília nesta quarta-feira, 8, mas foram contidos por seguranças. A assessoria de imprensa da pasta confirmou a informação ao Estadão/Broadcast e ressaltou que jornalistas presentes no local foram hostilizados.

Pró-governo, o grupo que tentou a invasão está em Brasília desde ontem, quando foi às ruas junto ao presidente Jair Bolsonaro com pautas antidemocráticas. Bolsonaro chegou a dizer que não vai mais cumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu ao Judiciário para “enquadrá-lo”.Sede do Ministério da Saúde, em Brasília © Marcello Casal Jr./Agência Brasil Sede do Ministério da Saúde, em Brasília

O deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS) publicou no Twitter um vídeo do momento da tentativa de invasão à sede do Ministério da Saúde.

Nesta terça-feira, 8, alguns manifestantes ameaçavam invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais alvos dos atos de 7 de Setembro e dos ataques de Bolsonaro em seu discurso. Diversas faixas pediam o fechamento da Corte. A Polícia Militar, porém, isolou a Praça dos Três Poderes, mantendo o grupo longe da sede do Poder Judiciário. Um início de confusão, logo pela manhã, foi controlado após os policiais usarem spray de pimenta.

Na noite de segunda-feira, 6, um grupo de apoiadores do presidente chegou a furar o bloqueio de segurança montado pelo governo do Distrito Federal, em Brasília, e conseguiu entrar com carros e caminhões na Esplanada dos Ministérios. A circulação de veículos no local estava restrita desde esta madrugada como medida preventiva. Apenas a passagem de pedestres estava permitida. A PM registrou duas abordagens por porte de drogas durante o ato em Brasília. A informação foi divulgada pela Secretaria de Segurança do Distrito Federal. Uma das pessoas foi detida e levada à delegacia e a outra foi liberada logo em seguida.

Pacheco cancela sessões do Senado

Ontem, após os atos em que o presidente fez ameaças diretas ao Congresso e ao Judiciário, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu cancelar todas as reuniões marcadas para esta semana. O comunicado foi enviado aos parlamentares por mensagem na noite desta terça-feira, 7, e confirmada pela assessoria da Presidência do Senado.

A decisão foi interpretada por senadores como o primeiro reflexo da radicalização de Bolsonaro. A avaliação de Pacheco, segundo interlocutores do presidente do Senado, foi de que não há clima para votações e nem garantia de segurança a senadores e servidores.

Mesmo após os atos de terça-feira, ainda há grupos de apoiadores do presidente acampados na Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira, 8. O setor de inteligência do Senado também foi informado de riscos de invasão a prédios de poderes.

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