Bolsonaro faz afirmações enganosas em discurso da ONU

Da AFP – O presidente Jair Bolsonaro fez várias declarações enganosas ou imprecisas nesta terça-feira (21), durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, verificadas pela equipe de Factcheck da AFP no Brasil.O presidente Jair Bolsonaro ao final de seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro de 2021 em Nova York© EDUARDO MUNOZ O presidente Jair Bolsonaro ao final de seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro de 2021 em Nova York

– Tratamento “precoce” e combate à covid –

“Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce”, declarou Bolsonaro. “Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, acrescentou, voltando a defender, apesar de não citá-la, a hidroxicloroquina, um medicamento antimalária que se mostrou ineficaz contra a covid-19 em testes clínicos.O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo é contra o passaporte sanitário, mas 'apoia os esforços' de vacinação contra a covid-19.© Fornecido por AFP O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo é contra o passaporte sanitário, mas ‘apoia os esforços’ de vacinação contra a covid-19.

Embora tenha afirmado sempre ter defendido o combate “ao vírus e ao desemprego simultaneamente e com a mesma responsabilidade”, em diversas oportunidades o presidente minimizou a gravidade da doença, inclusive classificando-a como uma “gripezinha”

“Apoiamos a vacinação”, também afirmou Bolsonaro, apesar de ter garantido que será “o último brasileiro” a se vacinar, além de duvidar da eficácia do imunizante da Pfizer, que poderia transformar as pessoas em “jacaré”.

– Meio Ambiente e Amazônia –

Bolsonaro afirmou que “na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior”, um dado verdadeiro, mas que precisa ser contextualizado.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do ano, perdeu-se uma área muito semelhante à do ano passado (6.098 km² entre janeiro e julho de 2020, ante 5.944 km² no mesmo período de 2021).

“Em seu governo, o desmatamento cresceu por dois anos consecutivos”, lembrou a ONG Observatório do Clima após o discurso do mandatário na ONU.

Quanto aos incêndios, eles também dispararam. Segundo o Inpe, foram registrados 28.060 incêndios na Amazônia brasileira no mês passado, 4,3% a menos do que em agosto de 2020, embora bem acima da média de 18 mil na década anterior à chegada de Bolsonaro ao poder em 2019.

– “Sem corrupção” no Brasil –

“Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção”, afirmou Bolsonaro, referindo-se ao período em que governa o país.

Embora não tenham sido concluídas, várias investigações estão em andamento contra o presidente e seu entorno: uma CPI no Senado investiga denúncias de irregularidades em um dos contratos negociados por seu governo para comprar vacinas anticovid, e o próprio Bolsonaro enfrenta uma investigação por suspeita de que estava ciente dessas queixas e não informou as autoridades.

Seu ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está sendo investigado por suposto envolvimento em esquema de exportação ilegal de madeira e, embora não faça parte formalmente do governo, o senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público por suspeitas de participação em esquema de desvio de dinheiro quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

– Manifestações recorde –

Bolsonaro afirmou que os movimentos de rua de 7 de setembro, nos quais criticou o judiciário e inflamou apoiadores que defendiam atitudes antidemocráticas, foram “a maior manifestação da história” do Brasil.

Embora não houvesse estimativa nacional do público, apenas o protesto em São Paulo reuniu, segundo a polícia, cerca de 125.000 manifestantes pró-governo, enquanto em março de 2016 um protesto contra a então presidente Dilma Rousseff no mesmo local reuniu 1,4 milhões de pessoas.

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