Bolsonaro não respeitou interesse nacional no caso dos médicos cubanos

O problema da atitude do Bolsonaro para com os médicos cubanos não está em Cuba, mas no Brasil. Se Bolsonaro queria descartar os médicos cubanos, como o fez com provocações via twitter, que tivesse estabelecido antes uma regra de transição. Agora teremos cerca de 25 milhões de brasileiros sem assistência médica.

Bolsonaro não é presidente de Cuba, mas do Brasil. Deveria primar pelos interesses dos brasileiros. Não se trata de endossar o regime cubano. Bolsonaro poderia ter aberto nova chamada para médicos estrangeiros ou brasileiros e, após preencher os espaços, dispensar os cubanos, se assim queria. Sua irresponsabilidade será paga pelos pobres espalhados por cidades distantes mais dependentes do serviço.

A situação, mais uma vez, é de improviso e sua ação está alicerçada na atuação de um deputado de baixo clero não acostumado a medir às consequências de suas falas. Agora ele é presidente e tudo que diz repercute. Ainda não se tocou disto.

Os médicos brasileiros não quiseram ir trabalhar no interior por 10 mil reais. É um direito que eles têm. O que eles desejam, conforme nota do conselho federal de medicina, é uma carreira e salário semelhantes a de um magistrado. Ou seja, vencimentos acima dos 30 mil. Ora, não temos como arcar com tal custo.

A diplomacia de um país não tece relações apenas com democracias. Trata-se de uma grande lorota. Trump, por exemplo, tem na ditadura da Arábia Saudita um forte aliado no oriente. O que guia a diplomacia de uma nação são os interesses nacionais, que Bolsonaro secundariza em nome de visão ideológica simplista.

FAKE NEWS

Enquanto produz suas trapalhadas, Bolsonaro mantém máquina forte de fake news sobre os assuntos que aborda.

Circulam em grupos de WhatsApp e aqui mesmo pelo Facebook informações falsas, dando conta de que os médicos cubanos não têm diplomas universitários, que Cuba assassina a família dos médicos que não retornam ou que o acordo entre Cuba e o Brasil diz respeito a um suposto acordo para o domínio do comunismo no mundo.

Cuba deve ter uma força extraordinária, deve ser uma potência econômica e militar no mundo, já que acordo semelhante se encontra estabelecido com mais de 60 países. Pessoal, foi uma ironia, viu.

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