Burros somos nós

A avaliação quase que geral é que o novo chanceler, um oportunista que até ontem babava Lula e hoje se diz olavista de carteirinha, é burro. Os passos dele nos mostram o contrário. Apresenta alguém com faro e objetivo. Pelas suas ações chegou mais cedo ao posto máximo de poder da sua área do que outros profissionais tidos como mais preparados.

Que a ministra Damares, inventora do exitoso – do ponto de vista eleitoral – “kit gay”, é burra. Ora, aquele papo de menino veste azul e menina veste rosa pode incomodar formadores de opinião e bolhas organizadas. Porém, suspeito que o povão deve ter adorado. A vitória de Bolsonaro representa a consagração de uma teodiceia homofóbica e concepção regressiva de família. E ela segue tal linha.

Que o ministro da educação e sua equipe são burros e que vão acabar com as políticas do MEC. Isto não é sinal de burrice, me parece que estão ali para isso mesmo. Trata-se de meta.

A visão quase geral é que Jair Bolsonaro e seus familiares são burros, apesar deles estarem colocando o bom jornalismo como sinônimo de ser “contra o Brasil”, enfraquecendo uma forma legítima de controle sobre eles.

Leio os textos dos especialistas mobilizados em diversas áreas e noto uma despreocupação básica das ciências sociais: procurar compreender o que os agentes querem atingir quando empreendem suas ações. Ao invés disso, jogam livros e mais livros sobre a gente como se quisessem mostrar como são inteligentes e perspicazes. Estudiosos também têm ambições pessoais nas guerras culturais. Não retiro a razão de seus argumentos, mas a análise fica pela metade, digamos assim.

Seria fácil derrotar o governo Bolsonaro se fosse do modo como seus oposicionistas, de maneira militante, estão pintando. Porém, cabe lembrar que eles venceram uma eleição contra a principal máquina partidária do Brasil. Eles têm método e, tirando uma batida de cabeça aqui e acolá, parecem saber exatamente aonde querem chegar, mesmo que possivelmente não consigam. E é nisso que reside o verdadeiro perigo.

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