Cálculo eleitoral macabro

A imprensa nacional começa a publicar textos sobre uma lógica que já tinha desvendado – às favas com a modéstia – por aqui há um mês (colocarei o link ao término do texto).

O presidente Jair Bolsonaro age a partir da seguinte lógica, ao se posicionar contra o isolamento. Em 2022, a crise econômica será assunto de milhões de eleitores e terá efeito perceptível maior do que a morte hoje de 50, 100 mil pessoas.

Então, ele arma o bote para dizer: estão vendo, eu avisei que a crise econômica viria. Toda sua incursão contra o devido combate da pandemia se alicerça em tal cálculo.

É a única forma de buscar a reeleição? Não. Mas para Bolsonaro seria difícil agir como um político moderado, que procura se cacifar através da união dos diferentes grupos no atual momento. Para tanto, ele teria de ficar ao lado do “sistema”, o que colocaria em risco o relacionamento com sua base radical.

Ao agir assim, criando falsa dicotomia entre saúde e economia, vai morrer mais gente? Tudo indica que sim. Porém, o alvo é a reeleição e não salvar vidas.

PS. E não duvide: ele vai jogar as mortes nas costas dos governadores e prefeitos, sob a falsa alegação de que o isolamento levou o vírus para a casa das pessoas. É a fake news de seu conselheiro, o deputado federal Osmar Terra.

PS.2. Do ponto de vista político, o isolamento pode ser inimigo do isolamento. Se ele surtir efeito, morrendo pouca gente, irão dizer que, de fato, não passava de uma “gripezinha”.

Montando uma narrativa: por que Bolsonaro atua contra a quarentena
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