Carlos Eduardo Alves articula mal, ou seja, age como sempre

A história do várias vezes prefeito Carlos Eduardo Alves é simbólica. Pelo acaso da trajetória política do RN, se aproveitando de um acordo do PMDB dos Alves com a então prefeita em reeleição Vilma de Faria, chegou a vice prefeitura de Natal. Até então, era um deputado estadual carreado pelo espólio familiar e a articulação para ser vice e, depois prefeito, passou toda por mãos alheias, sobretudo da própria Vilma, dos Alves e de seu pai, Agnelo Alves.

Recém saído da prefeitura, não conseguiu fazer sucessor e viu sua oponente, Micarla de Sousa, chegar a prefeitura do Natal. Parecia perdido para a política, pois deixava o cargo numa avaliação que não possibilitou indicar quem iria gerar a continuidade do seu trabalho.

Eis que, não mais do que de repente, a sorte lhe sorriu outra vez. A péssima administração da ex-prefeita Micarla de Sousa transformou a gestão anterior, de melancólica, para extremamente moderna. O espírito da borboleta rondou a capital e jogou o parâmetro da boa política no chão, sedimentando novo espaço para Carlos Eduardo Alves.

Ainda assim, seu relacionamento com a Câmara Municipal nunca foi dos mais amenos, algo que, por exemplo, Álvaro Dias está conseguindo demonstrar muito mais desenvoltura.

Candidato ao governo, mais uma vez mostrou que, sem terceiros na condição de bombeiros e interlocutores, montou base incapaz de derrotar Fátima Bezerra, que se sagrou governadora do RN.

O ponto: Carlos Eduardo Alves sempre se movimentou mal. Nunca teve habilidade como articulador e está demonstrando isto muito bem agora novamente. Se lançando às vezes como candidato ao senado, em outras ao governo, conseguiu atritar com o prefeito de Natal Álvaro Dias, de quem recebeu a vice-prefeitura hoje ocupada por uma parente, e abriu rusgas desnecessárias contra Fátima Bezerra, que não tem candidato ao senado fechado. Os ataques de sua esposa contra a política de mulheres do PT foram absolutamente sem ganhos e desnecessários, assanhando a antipatia da militância petista – um termômetro que a governadora não pode fugir – bastante ligada a agenda dos novos movimentos sociais. Também não conta mais com a simpatia do bolsonarismo, já que passou os últimos anos criticando Jair Bolsonaro nas redes sociais, apesar de ter sido eleitor do presidente em 2018.

O que quer Carlos Eduardo Alves? Senado ou Governo? Pouco importa. Há, independentemente do desejo, uma perspectiva errática em campo. Isto porque uma coisa é demonstrar autonomia e jogar o nome na disputa, até para poder sentar na mesa de negociações. Outra completamente diferente é abrir flancos contra praticamente todos os envolvidos.

Caso queira ser alguma coisa após 2022, Carlos Eduardo Alves precisa colocar os pés em algum bote durante a travessia pré-eleitoral de 2021. Não tem como atravessar o mar incerto da política, furando todas as canoas.

Deixe um Comentário