Carlos Eduardo Alves vai de Micarla novamente; e o RN?

A ex prefeita Micarla de Sousa saiu da prefeitura em 2012. Porém, segue, ainda em 2018, rendendo frutos. Esta ao menos é a perspectiva já desenhada por Carlos Eduardo Alves. Sem conseguir fazer sucessor(a) em 2008 e com futuro incerto na política – não nos esqueçamos de sua má participação no pleito de 2010 -, Alves ganhou sobrevida com Micarla e vem vivendo dela até então.

Em sua fala de abertura dos trabalhos da Câmara Municipal ontem (15), citou o modo como, segundo ele, superou o caos administrativo dos tempos da chamada borboleta.

São seis anos de gestão do prefeito. Nesse interim, em 2016 na sua reeleição, afirmou que a crise estava resolvida. Passado o pleito, salários atrasaram e descobriram saques ilegais do Fundo Previdenciário, pois que feitos sem autorização da Câmara. Impostos foram antecipados ao arrepio da lei, conforme o Tribunal de Contas. Em resumo, Cea estourou tudo para passar a impressão de normalidade e vencer o pleito. Depois veio o tombo.

Que gestor que se diz experiente, técnico e versado faz isso?

Cea acredita claramente que Micarla lhe renderá mais um mandato. Agora o terceiro, o de governador. Resta saber como é que ele vai enfiar essa ideia na cabeça dos eleitores dos 167 municípios do Estado. É de suspeitar que o cidadão de Jardim do Seridó, por exemplo, sequer conhece a ex-prefeita e tem questões práticas mais urgentes para debater do que a administração, repito, que já se encerrou há seis anos.

O discurso antimicarlista é bastante peculiar. É o escudo da superação, mas na retórica do prefeito fica aberta a ferida dos erros dos últimos anos. A capital do RN continua com problemas de iluminação, de alagamentos frequentes, obras nas praias da cidade se revelaram atravessadas por corrupção, entre outras situações. Secretários de Cea terminaram presos. O que Micarla tem a ver com isso e com atraso de salários, terceirizados e fornecedores hoje?

E mais: Carlos Eduardo diz ser tudo contra o que Micarla representa. Mas forma chapa com o senador José Agripino, principal articulador da candidatura da então dona do SBT local; e com Garibaldi, que indicou, junto com seu primo Henrique, secretários e só pulou fora da nau verde no fim de tudo. Certamente, a maioria do eleitorado nem lembra disso. Eles têm coisas mais relevantes com que se preocupar.

O fato é que a estratégia egípcia de falar de uma antecessora de tempos tão pretéritos revela dificuldade para argumentar sobre problemas e de apresentar uma lista de realizações de mais de meia década para cá.

O Rio Grande do Norte ficará preso a essa cantilena?

Deixe um Comentário