Cloroquina como santinho eleitoral

O ministro da saúde Nelson Teich pediu hoje para sair. Já adiantavamos por aqui que a exoneração dele seria inevitável.

Teich relatou pressões para que o ministério flexibilize as medidas de isolamento e receite, de forma geral, a cloroquina para todos os pacientes infectados pela covid-19. Pelo cenário, já se imagina o que vem por aí.

Cabe entender o que quer o presidente Jair Bolsonaro. A maior parte dos infectados se cura. Com a cloroquina pra todos não haverá diferença. Pesquisas recém publicadas mostram ineficácia do remédio, tanto na diminuição do tempo de internação, como também no número de óbitos. Em um governo normal, a cloroquina estaria descartada. Não é o caso. Bolsonaro olha para os efeitos políticos, sendo copiado por Nicolas Maduro da Venezuela.

Os usuários atribuirão suas melhoras, não aos seus sistemas imunológicos, mas ao “remédio de Bolsonaro”. O efeito será de um mero placebo. Mas a dose é de populismo cavalar. A cloroquina é o santinho eleitoral de Bolsonaro. Que se exploda a ciência e o número de mortos. Afinal, conforme ele mesmo já deixou claro em diversas manifestações, para ele “a maioria vai pegar” e “quem tiver de morrer, infelizmente morrerá”. Abre-se o comércio e os governadores e prefeitos seguirão nas cordas.

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