Cobrar apenas Governo e Prefeitura é uma forma de fazer o discurso de Bolsonaro

A Organização Mundial de Saúde, instituição que delineou as diretrizes que os governadores e prefeitos estão seguindo diante da pandemia, já deixou claro. Para afrouxar o isolamento social é preciso 1. queda da contaminação pela Covid-19, 2. testagem em massa, 3. ampla disseminação da etiqueta de higiene (máscara, EPIs para os profissionais de saúde, etc) e 4. leitos suficientes para suportar a pressão sobre o sistema.

O Rio Grande do Norte e Natal têm condições para isso? Óbvio que não. Os casos estão em pleno crescimento com a interiorização do coronavírus e ingresso do mesmo nas periferias de Natal e Grande Natal, não há testes e EPIs e a capacidade do sistema é limitada. Por isso, o decreto do isolamento social foi prorrogado por mais 15 dias no RN.

Diante da situação, a pressão sobre o governo do RN e as prefeituras tem sido enorme. Os produtores e comerciantes querem que a governadora Fátima Bezerra e o prefeito Álvaro Dias apresentem perspectivas de abertura da economia. Ora, não há condições para tanto. E, além disso, só cobrar o governo e a prefeitura é uma forma de fazer política, não de defender interesses econômicos. Há pré-condições que só o governo federal pode cumprir e que inclusive foi prometido: EPIs, respiradores, etc. Por que não cobrar a União e a bancada federal que é suporte de Bolsonaro?

O ato é uma forma de fazer o discurso bolsonarista de jogar todo o peso sobre o isolamento nas costas dos governadores e prefeitos. Só que há ações que só o governo federal pode e deve efetivar.

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