Codevasf controlada pelo ministério de Rogério Marinho recebeu R$ 3 bi em emendas e não comprova valor de obras

Do Metrópoles – A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) não comprovou, em seu balanço de 2021, o valor real em obras executadas, de acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo. A estatal, segundo levantamento do jornal, é recebedora de pelo menos R$ 3 bilhões dos cofres públicos por meio de emendas parlamentares durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

O relatório da auditoria independente Russell Bedford identificou o problema e apontou que a empresa encerrou o exercício “verificando a existência das operações” da carteira de obras para apresentar os números de maneira confiável.

“A companhia apurou todas as operações registradas na contabilidade, mas ainda está verificando a existência das operações registradas para realizar os devidos ajustes contábeis e, assim, apresentar o saldo contábil de forma fidedigna”, afirmam os auditores no documento obtido pela reportagem.

A ressalva da Russel Bedford foi feita no item “Obras em andamento, Estudos e Projetos e Instalações”. A Codevasf afirmou no balanço ter um saldo de R$ 2,7 bilhões na rubrica, mas os auditores não conseguem confirmar o valor.

Centrão

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), pasta comandada até o mês passado por Rogério Marinho (PL), a Codevasf é a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba e foi entregue por Bolsonaro ao Centrão, grupo coordenado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), em troca de apoio político no Congresso.

Marinho é pré-candidato ao Senado no Rio Grande do Norte.

Em 2021, deputados e senadores destinaram o equivalente a 61% da dotação orçamentária total da empresa.

“Novo método”

Segundo a reportagem, a empresa informou, em nota, que “a manifestação da auditoria independente apresentada como ressalva diz respeito a sistematização de informações” e que “desenvolveu novo método” para resolver o problema. A empresa também apontou que “o balanço anual foi aprovado pelos conselhos competentes com a orientação de que ações sejam empreendidas em atenção ao trabalho da auditoria”.

No relatório, a firma de auditoria diz que não é possível opinar “sobre os saldos dessas contas e os componentes das demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa”. A Codevasf registrou prejuízo de R$ 358 milhões em 2021.

A Russel Bedford orientou que a Codevasf elabore um relatório para conciliar os números e auxiliar nos controles patrimoniais.

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