Com a perspectiva de derrota se desenhando, Bolsonaro elevará o tom do golpismo até 2022

O presidente Jair Bolsonaro enfrenta uma tempestade negativa – há crise econômica, desemprego e a inflação segue corroendo o poder de compra do brasileiro. Com ela, a fome ganha cada vez mais corpo. A ida ao supermercado costuma ser implacável contra o governante de ocasião que procura a reeleição. Para terminar de completar, veio a maior crise hídrica dos últimos 100 anos – medidas de incentivo à redução do consumo de energia já estão sendo publicizadas. O governo nega racionamento, mas o problema certamente limitará as perspectivas de crescimento que já são ralas. A projeção para o ano que vem é de 1,6% de elevação do Produto Interno Bruto. Não nos esqueçamos que a pandemia também ainda não acabou.

A política é complexa, mas trata-se de um cenário em que a derrota de Bolsonaro vai cada vez mais se desenhando. O presidente tenta tercerizar responsabilidades – inflação, elevação do preço dos combustíveis, da energia, dos alimentos, desemprego, tudo teria o dedo dos governadores e prefeitos. Ora, apesar do diversionismo e do discurso mentiroso, a probabilidade de tais falas pegarem é baixa, a não ser entre radicais descolados da realidade. O horizonte carece de esperança.

A tendência, com isso, é Bolsonaro elevar o tom das ameaças e continuar na sua incursão de corrosão institucional. Acuado, ele ataca. E, após a confusão gerada em torno do voto impresso, os ataques ao STF e agora com o 7 de setembro, Bolsonaro criará novos cavalos de batalha, para manter seus cerca de 25% unidos em prol da tentativa de tumultuar o processo eleitoral.

Neste sentido, é preciso parar de debater se vai ou não ter golpe. Além da discussão se configurar como falsa em tal perspectiva, normaliza a corrosão institucional em curso. Há uma ampla literatura especializada, demonstrando que o fim da democracia não ocorre na base da quartelada, mas por erosão por dentro do sistema. O golpe já se inseriu no cálculo dos agentes políticos como possibilidade e é preciso resistir contra isto e garantir a normalidade do processo sucessório do ano que vem.

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