Ezequiel, o bolsonarismo e o petismo

O debate que circula nos bastidores é bem distinto das versões que estão surgindo na cobertura política local. Basta conversar com as fontes que participam das negociações para entender e perceber que são pouco concretas as alegações públicas.

A única aspiração majoritária de Ezequiel Ferreira era na possível saída para o senado. Só que ele teceu acordos com o ministro Rogério Marinho e conseguiu carrear verbas para outros deputados estaduais e prefeitos, a partir de promessas para o ministro. Esses acordos circulam nas rodas de política mais abastecidas de poder.

É fato notório que Ezequiel não quer ser candidato ao governo do RN como deseja Rogério. Não apenas pela sua agenda, como também pelo modo com que evita qualquer tipo de aproximação com o bolsonarismo, apesar das mais variadas promessas (o controle do PP, mantendo o seu já PSDB, por exemplo) que recebeu pelos membros do governo federal. Até o presente momento participa ativamente com cargos e secretarias ocupadas na gestão Fátima. Como iria criticar um governo do qual é aliado e ajudou a construir?

Ezequiel não acreditava que Rogério se viabilizaria porque, conforme a larga maioria das pesquisas, o nome mais competitivo era o de Fábio Faria. Fechou acordo com Rogério, achando que não precisaria cumprir. Só que Rogério reverteu o jogo contra Faria e tornou se o nome da oposição para o senado, deixando Ezequiel numa situação difícil.

O presidente da assembleia sabe que não há a menor condição de sair pelo interior do RN, levando o nome de Rogério e Bolsonaro e continuar competitivo. O pessedebista é estradeiro e não se emprenha com análises que saem no eixo natalense Petrópolis-Ponta Negra. Ele também tem suas próprias pesquisas internas.

Apesar de deixar a especulação rolar sobre ele, até para valorizar seu passe, Ezequiel tem dito que prefere buscar a reeleição segura e mais um biênio como presidente da assembleia. Isto porque também teme que suas questões judiciais sejam desenterradas contra ele durante o pleito eleitoral. Recentemente, ao atacar Ezequiel, por exemplo, o senador Styvenson Valentim fez postagens nesse sentido em suas redes sociais. A campanha é um momento em que todo tipo de ataque acontece, muitos dos quais injustos – mas a mancha fica -, e Ezequiel quer tranquilidade. Membros do bolsonarismo prometeram que, caso ela venha a ser candidato ao governo, ele não seria importunado com isso. Ezequiel segue cético. Do contrário, seu bloco já estaria na rua.

O presidente da assembleia como um político habilidoso que é, tem dito aos membros do governo que não quer ser candidato ao executivo em 2022. Trata-se de uma eleição perigosa e com forte probabilidade de entrar como candidato e aliado de Bolsonaro e sair como derrotado e vendo Lula chegar à presidência. Tomar uma posição tão frontal assim pode, no decorrer de um ano, levar a derrocada de seu grupo político.

Sua demonstração pública de compromisso com o MDB é uma forma de lembrar que está aberto a uma concertação que o leva para Fátima. Se a governadora fechar com Walter e Garibaldi, Ezequiel vai junto. É o recado.

Mas como desatará o nó com Rogério Marinho? É o que de fato a classe política local observa, pois não será improvável que ele acabe colocando um pé na candidatura de Rogério ao senado e fique com Fátima para o governo do RN. Na prática, ficando mais preocupado em tocar sua campanha e formar as nominatas do seu partido do que tomará a linha de frente da disputa eleitoral majoritária, quer seja como candidato, quer seja como alguém que vai fortemente atuar sobre o quesito.

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