Convocar a ex-cunhada de Bolsonaro, que o acusa de ficar com a maior parte do seu salário no tempo em que era deputado, transmitirá imagem negativa sobre a CPI da Covid no Senado

O relator da CPI da Covid no senado, Renan Calheiros, é propositor do pedido. Além de não ter consenso entre os senadores da oposição, será uma sinalização ruim para a própria comissão. Não há qualquer relação entre a possível rachadinha no gabinete da época em que Jair Bolsonaro era deputado federal e o que é investigado pela CPI. O melhor que os senadores tem a fazer é focar no que deve ser tema fundamental – a resposta brasileira à pandemia.

O Globo

A ideia do senador Renan Calheiros (MDB-AL) de convocar a ex-cunhada de Bolsonaro para depor na CPI da Covid está longe de ser consenso entre seus pares. Parlamentares que integram o G7, grupo majoritário da comissão, relataram à coluna que não veem conexão entre a investigação feita pela CPI e o áudio da ex-cunhada de Bolsonaro indicando seu envolvimento no esquema da “rachadinha”.

O site “UOL” revelou uma gravação em que fisiculturista Andrea Siqueira Valle disse que o presidente demitiu seu irmão, André Siqueira Valle, porque ele se recusou a entregar a maior parte de seu salário a Bolsonaro, que na época era deputado federal. Andrea e André são irmãos de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de seu filho caçula, Jair Renan.

Renan Calheiros disse ao “G1” que vai apresentar, nesta segunda-feira, um requerimento para aprovar a convocação da ex-cunhada do presidente. Segundo ele, o objetivo é saber se “houve espelhamento do caso das rachadinhas na gestão da pandemia por parte do governo federal”.

A avaliação de três senadores ouvidos pela coluna é de que esse pedido enfraqueceria a CPI da Covid, já que o depoimento da fisiculturista não ajudaria a elucidar casos de corrupção envolvendo a vacina, principal foco das investigações. Para eles, a gravação deve ser foco de apuração de outra Comissão Parlamentar de Inquérito.

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