Damares Alves e o pensamento de bolha

PENSANDO FORA DA BOLHA

Lá atrás, um desconhecido pastor e deputado chamado Marco Feliciano começou a aparecer com frequência na minha timeline pintado de modo jocoso pelos seus críticos.

Imaginei. Esse aí está lascado. Na prática, foi o contrário. Ele foi alçado a uma condição de liderança entre seu público. Ele soube bem canalizar os ataques desferidos por parte de quem o dito cujo não receberia de fato qualquer simpatia para se vitimizar diante dos seus pares. Deu certo. Sua votação explodiu e ele virou uma espécie de liderança do setor evangélico. Minha análise foi nada mais do que a expressão de uma visão de bolha. Aprendi com o caso.

Suspeito, por enquanto só suspeito, que ocorrerá o mesmo com a nova ministra e pastora Damares Alves. Penso também que aumentará a distância entre os dois lados em disputa.

O ataque contra a história do “pé de goiaba” – ela alegou em um culto ter visto Jesus em uma goiabeira – será tomado pelos evangélicos como zombaria contra sua fé. Por fim, especulo que a defesa do estatuto do nascituro e da família têm larga base social e será fácil enquadrar seus críticos como pessoas “antifamília”. Isto acontece porque no Brasil a esquerda tem uma interação carente de sentido com a ideia de família, nem constrói uma própria para se contrapor.

Como criar uma base de diálogo mais reflexivo no meio de tal confusão, que gere respeito aos fiéis e suas convicções e, ao mesmo tempo, não adentre pelo obscurantismo e ataque às minorias? É o grande desafio. E não perguntem para mim o que fazer, pois não faço a menor ideia.

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