Defensores da CPI da Covid no RN agem como se a Assembleia não tivesse existido durante a pandemia e se estabelecido como um palco de negacionismo estadual

Tenho dito e repetido aqui desde o início o mesmo que aleguei para a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no senado – CPI é direito da minoria. Uma vez atingida as assinaturas, tem que abrir. Trata-se de algo que inevitavelmente ocorrerá também para o caso da Assembleia Legislativa do RN. Porém, o discurso dos deputados estaduais é no mínimo pitoresco. Eles falam como se o poder legislativo do RN não tivesse existido durante a pandemia, que eles não tivessem desempenhado um papel. Pior: muitas vezes, na contramão da ciência

O deputado estadual Kelps Lima, durante a semana passada, falou em óbitos de servidores do poder legislativo e que a sociedade precisaria de uma resposta. Ora, sua pressão pela abertura da CPI é legítima e o direito lhe assiste. Só que há mais fatos pelo caminho ocultados pela retórica do parlamentar.

A Assembleia voltou aos trabalhos em fevereiro de 2021, inclusive com questionamentos deste blogueiro e outras pessoas atuantes na esfera pública. O prédio da AL/RN é um caixote sem ventilação. Foi dito que óbitos poderiam acontecer com a interação face-a-face em plena explosão de casos da segunda onda. O discurso de Kelps no vazio é uma maneira de jogar para os outros algo que deveria ser hoje objeto de autocrítica da casa da qual ele faz parte.

A AL/RN também foi um palco privilegiado na defesa de tratamento precoce, discurso antivacina e outros negacionismos. Parlamentares discursaram na defesa da cloroquina e da ivermectina como saída contra a pandemia, chegando a alegar inclusive que tais remédios tinham maior eficácia do que as vacinas. Ações de isolamento social sofreram ataques das bancadas bolsonaristas.

A comissão de enfrentamento à pandemia recebeu e repercutiu o presidente do sindicato dos médicos do RN Geraldo Ferreira. Na ocasião, ele disse que não existiria colapso e que o sistema estava, na verdade, mais folgado em face da diminuição de acidentes de trânsito. Apesar dessa e outros notícias terem sido retiradas estranhamente do ar, pela pesquisa que venho fazendo sobre o assunto, guardei a informação aqui.

O governo do estado, além disso, não tomou ações desvinculadas da autorização da Assembleia. Por exemplo: os críticos do consórcio nordeste ignoram o fato de que a Assembleia anuiu o ingresso do RN ao grupo. E não há aqui um ataque, mas uma constatação. E, aliás, as ações articuladas do grupo levaram a região aos melhores índices de enfrentamento à pandemia.

Portanto, o poder legislativo desempenhou um papel e a CPI não pode ser o caminho para que os parlamentares encontrem as condições para agirem ao arrepio do que produziram durante a crise sanitária no RN.

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